Por Giuseppe Borgo — Em nota oficial, o presidente Sergio Mattarella recordou hoje, no centésimo aniversário do nascimento, a figura de Vittorio Bachelet, sublinhando que a República permanece reconhecida pelo seu exemplo cívico e institucional. A evocação coloca novamente em foco a trajetória de um jurista que moldou práticas e princípios essenciais da convivência democrática italiana.
Mattarella destacou o papel de Bachelet como vice-presidente do Conselho Superior da Magistratura (Consiglio Superiore della Magistratura), lembrando que ele trabalhou com firmeza para que fosse o próprio ordenamento democrático a neutralizar a ameaça do terrorismo à convivência civil, sem recorrer a medidas extraordinárias. Segundo o presidente, Bachelet sempre operou apoiando-se nos alicerces constitucionais que orientam a função jurisdicional, reforçando a arquitetura do Estado de Direito.
Na nota, o presidente salientou ainda o duplo compromisso de Bachelet com o conhecimento e com o envolvimento social. Nascido do mundo acadêmico, Bachelet soube integrar a dedicação à pesquisa e ao ensino com iniciativas associativas — primeiro na Federazione Universitaria Cattolica Italiana (F.U.C.I.) e, em seguida, na Azione Cattolica. Para Mattarella, esse percurso evidencia um método baseado no confronto e na conciliação, atitudes que se tornaram essenciais num período marcado por tensões, conflitos e violência política.
O presidente lembrou que Bachelet interpretou as funções institucionais e associativas em consonância com os ideais de democracia e pluralismo que nortearam sua vida. No seu entendimento, o diálogo constituía não apenas um princípio, mas uma ferramenta para o enriquecimento coletivo e para a proteção do bem comum — uma verdadeira ponte entre cidadãos e instituições.
O comunicado recorda também o crime que interrompeu a sua vida: Bachelet foi assassinado covardemente no dia 12 de fevereiro de 1980 na Universidade de Roma ‘La Sapienza’, ao término de uma aula. Mattarella relembra a atividade docente como um legado valioso — gerações de estudantes foram formadas por Bachelet e receberam seus ensinamentos com a convicção de que a cultura é um antídoto contra qualquer forma de opressão e arrogância.
Como repórter que observa a interseção entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, vejo nesta homenagem a reafirmação de um princípio institucional: o peso da caneta e da palavra nas mãos de quem decide deve sempre repousar sobre os alicerces da lei e do respeito mútuo. A memória de Vittorio Bachelet funciona como um tijolo fundamental na construção de direitos que protegem a convivência democrática.
Ao final, Mattarella concluiu destacando que, no centenário, a República presta homenagem à sua memória, ao empenho cívico e à contribuição cultural de um homem que, como professor e magistrado, deixou um legado intangible de compromisso público. Essa lembrança é, em si, um chamado para continuar a derrubar barreiras burocráticas e políticas que ameacem o espaço comum de liberdade e segurança.






















