Marina Berlusconi, presidente da Fininvest e da Mondadori, anunciou que votará Sim no referendo marcado para 22 e 23 de março. Em entrevista ao Corriere della Sera, ela explicou que a decisão não decorre de família ou filiação partidária, mas de uma convicção sobre o que é certo para a sociedade italiana.
“O referendo serve para votar sobre conteúdos, não por aparências”, afirmou. Para Marina, a proposta de separação das carreiras representa uma oportunidade para romper um nó que hoje sufoca o sistema e compromete a isenção efetiva dos juízes. “Não é uma revanche política, nem um voto a favor ou contra o governo. É uma chance histórica, não a deixemos escapar”.
Ao diagnosticar o problema da justiça italiana, ela foi direta: “A justiça é condicionada por um vergonhoso mercado de nomeações”. O alvo da crítica não são os magistrados individualmente, mas as correntes internas que, segundo ela, governam o destino de promotores e juízes no Consiglio Superiore della Magistratura (CSM). “Algumas dinâmicas lembram um grande bazar, onde nomeações se transformam em cambiais e promoções em promessas”, disse.
No terreno político, Marina reconheceu o papel de Antonio Tajani e de líderes de centro-direita: “Aos eleitores de Forza Italia devemos gratidão por Tajani, que consolidou o partido em fase delicada. Agora começa uma nova etapa: olhar adiante e construir o futuro”. Sobre o posicionamento pessoal, ela afirmou que seu papel é o de empresária, lembrando reivindicações típicas do setor privado, como menos burocracia, mais liberalizações e carga tributária reduzida.
Em outro trecho da entrevista, Marina pediu mais coragem em relação aos direitos civis, enquanto avalia positivamente a gestão das contas públicas: “Graças a uma administração responsável, a Itália recuperou credibilidade sólida. A maior prova agora é crescer”.
Quando questionada sobre a premiê Giorgia Meloni, a resposta foi clara e simbólica: “Eu torço pelo ouro. Se vencer a Meloni, vence o País”. Ainda assim, expressou preocupação com a conjuntura externa: “A situação internacional é séria, com tensões notáveis nos laços entre Europa e Estados Unidos. A premiê está empenhada em mantê-los sólidos — e isso é importante”.
O discurso de Marina Berlusconi se posiciona no cruzamento entre o empresariado e a cidadania: um apelo técnico à reforma do aparelho judicial, acompanhado de reflexões sobre responsabilidade política e a arquitetura das instituições. Para um eleitorado que busca clareza, a mensagem é simples e direta: o voto no referendo pode ser uma ferramenta para derrubar barreiras burocráticas e reconstruir os alicerces da lei.
Como repórter que observa a ponte entre decisões de Roma e a vida pública, registro que a intervenção de uma figura com o peso de Marina reenfatiza o caráter civil do debate — mais arquitetura do que retórica. O pleito de março será, nas palavras dela, uma ocasião para escolher conteúdos e consolidar a separação que muitos veem como um passo necessário para uma justiça mais independente.






















