Em encontro discreto e estratégico em sua residência em Milão, Marina Berlusconi confirmou ao vice‑primeiro‑ministro Antonio Tajani o apoio da família Berlusconi tanto à campanha pelo sim no referendo quanto à continuidade da ação da direção do partido. A reunião, que durou cerca de duas horas, marca mais um capítulo da atuação reservada da presidente da Fininvest, que mantém uma moral suasion orientada por dois objetivos claros: a questão da justiça e o futuro interno do partido.
Segundo relatos de fontes próximas ao vice‑premier, Marina destacou que o processo de renovação em Forza Italia deve avançar no sentido de uma maior abertura liberal, sem estimular fragmentações internas nem pôr em questão a liderança do atual secretário. Na prática: não haverá uma «rottamazione» imediata da direção, mas é necessário imprimir uma aceleração ao processo de mudança generacional, preservando o equilíbrio e a unidade do partido.
Tajani, que saiu do encontro informado e reconfortado, recebeu sinais de confiança e estímulos considerados fundamentais para o crescimento organizativo e político do movimento. Para os apoiadores do vicepremier, a disposição dos herdeiros do fundador do centro‑direita em compreender e apoiar as dinâmicas internas reforça a possibilidade de um rinnovamento unitário — uma reforma que funcione como alicerce e não como cisão.
Do ponto de vista público, Marina optou por uma estratégia discreta: não comparecerá a iniciativas públicas promovidas por Forza Italia a favor do sim, mas manterá sua influência por meio de intervenções na imprensa e ações calibradas. Seu interesse mais imediato é a ratificação da reforma da separação de carreiras, proposta que era defendida com veemência por seu pai, Silvio Berlusconi, e que foi aprovada no âmbito do governo de Giorgia Meloni. Para Marina, a confirmação no plebiscito consolidaria um dos pilares daquilo que denominamos a construção de direitos e da arquitetura da justiça — o peso da caneta convertido em estabilidade institucional.
Fontes internas consideram que a prioridade do momento é o referendo marcado para os dias 22 e 23 de março: só após o desfecho da consulta é que as discussões mais profundas sobre sucessão e renovação no seio de Forza Italia deverão ser retomadas. A mensagem à base do partido é clara: unidade para a campanha, planejamento para o futuro.
Como correspondente atento à interseção entre decisões de Roma e vida cotidiana dos cidadãos, registro que a postura de Marina segue a lógica de uma ponte entre instância familiar e aparelho partidário — ela atua como um elemento estabilizador, interessado em derrubar barreiras burocráticas sem sacudir os alicerces do partido. A prioridade declarada pela presidente da Fininvest é que as reformas aprofunde nuclei liberais do partido sem fragmentar sua coesão, garantindo que a renovação seja percebida como uma evolução arquitetônica e não como uma demolição.
Em resumo: Forza Italia segue sob a liderança de Tajani, com o aval tácito da família Berlusconi; o processo de modernização segue em curso, mas adiado em termos de decisões definitivas até o resultado do referendo, que passou a ser o vértice político imediato. A cena política italiana observa agora duas frentes em movimento — a do voto popular sobre a separação de carreiras e a da engenharia interna do partido — ambas fundamentais para os próximos passos da construção de direitos e da arquitetura partidária.





















