Maratona Sì: será uma semana de microfone aberto para defender a reforma da justiça e responder à crescente onda de desinformação. Os comitês favoráveis — das Camere Penali, da Fondazione Luigi Einaudi, do grupo Cittadini per il Sì e da Fondazione Internazionale per la Giustizia ‘Enzo Tortora’ — apresentaram hoje, em Montecitorio, a iniciativa que acontecerá de 2 a 9 de março na Piazza Cavour, em frente à Corte di Cassazione, em Roma.
O formato anunciado prevê um microfone aberto por oito horas diárias, onde cidadãos poderão alternar-se para explicar as razões do Sì. Segundo os organizadores, a ação tem o objetivo não apenas de rebater notícias falsas, mas de construir uma ponte direta entre a reforma e a opinião pública, oferecendo um espaço de contato direto entre quem decide e a vida real dos cidadãos — uma espécie de obra pública da cidadania, onde se erguem os alicerces do debate.
Gian Domenico Caiazza, presidente do comitê ‘Sì Separa’ da Fondazione Luigi Einaudi, criticou duramente a campanha contrária: “Há uma incrível campanha de mistificação sobre o conteúdo da reforma, que não imaginávamos pudesse chegar a esse nível. Muitos difundem mentiras. Há até quem diga que o promotor não será mais obrigado a investigar em favor do indiciado e que, em consequência, só os ricos poderão se defender — algo próximo ao delírio.”
Caiazza defende que a proposta busca tornar o juiz “mais livre e mais forte” para alcançar “uma justiça mais justa”. “Um juiz mais livre dos condicionamentos dentro da magistratura, do promotor e do controle asfixiante das correntes na jurisdição”, disse. Na visão dele, a atual anomalia é que o protagonista do processo passou a ser o promotor — e não o juiz. “É um desequilíbrio entre acusação e magistrado que precisa ser reequilibrado”, afirmou, convidando cidadãos de todo o país a inscreverem-se pelo site MaratonaSì para participar do evento.
Também falou na apresentação Francesco Petrelli, presidente do Comitato Camere Penali per il Sì e da Unione delle Camere Penali Italiane. Para Petrelli, é necessário voltar a dialogar com o eleitorado: “Vamos às ruas e aos cidadãos com uma ferramenta que já testamos — a maratona oratória realizada anteriormente em Piazza Cavour contra a reforma Bonafede sobre a prescrição”. O objetivo desta vez, reforçou, não é apenas refutar as inverdades do No, mas mostrar com clareza as razões do Sì e debater o mérito da reforma.
Francesca Scopelliti, presidente do comitato ‘Cittadini per il Sì’ e da Fondazione Enzo Tortora, pediu maior atenção da mídia: “Esperamos por uma reforma assim há 38 anos para honrar a memória de Enzo Tortora. Alguns rotulam quem apoia o Sì de ‘fugitivo’ e os do No de ‘militantes’ — é uma falsidade. Talvez o Sì esteja ausente dos grandes meios e da imprensa de esquerda que não abre espaço para nossas razões. Falta informação.”
O tom da iniciativa é claro: derrubar barreiras burocráticas e esclarecimentos equivocados, reconstruir os alicerces do debate público e restituir ao juiz o papel central do processo. A maratona será, nas palavras dos organizadores, um espaço de cidadania ativa — onde o peso da caneta e o alcance da palavra pública se encontram para moldar a arquitetura do voto.
Do ponto de vista prático, os interessados em falar durante a Maratona Sì poderão inscrever-se pelo site indicado pelos organizadores. A expectativa é que a iniciativa atraia advogados, cidadãos, associações e representantes de fundações que queiram testemunhar, explicar e confrontar argumentos em frente ao palco simbólico da Corte de Cassação, na Piazza Cavour.
Como repórter atento à conexão entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, registro que iniciativas desse tipo funcionam como canteiro público do debate democrático: erguem passarelas de contato entre especialistas e populares, e exigem que os meios deem espaço ao confronto factual. Resta acompanhar se a maratona conseguirá, além de rebater desinformação, construir consensos sólidos sobre o que muda de fato com a reforma da justiça.






















