A notícia pode parecer um detalhe na superfície, mas carrega impacto simbólico e prático na arquitetura das relações internacionais. O ex-ministro italiano Luigi Di Maio, atualmente representante especial da União Europeia para a região do Golfo, foi nomeado professor honorário no Department of Defence Studies do King’s College de Londres, uma das mais prestigiadas instituições acadêmicas em segurança e geopolítica.
A confirmação foi feita pelo próprio Di Maio em seu perfil no LinkedIn, onde afirmou que pretende usar o novo papel para aprofundar o diálogo sobre segurança internacional, as relações entre a Europa e os países do Golfo e as dinâmicas geopolíticas que cruzam essas áreas. Segundo o diplomata, a intenção é construir uma ponte entre o trabalho prático das instituições e a análise acadêmica, promovendo o intercâmbio de competências entre práticas de governo e pesquisa.
Contexto do mandato e extensão
O acréscimo do cargo acadêmico ocorre em momento de consolidação da carreira europeia de Di Maio. Ele foi nomeado o primeiro representante especial da UE para a região do Golfo em 15 de maio de 2023, por indicação do então Alto Representante Josep Borrell, com início de mandato em 1º de junho de 2023. Recentemente, a nova Alta Representante, Kaja Kallas, propôs e obteve a prorrogação do mandato por mais dois anos, estendendo o cargo até 28 de fevereiro de 2027, com possibilidade de novo prolongamento.
Essa sobreposição de funções — diplomacia ativa e presença acadêmica — reforça tanto o prestígio individual quanto a estratégia da UE de articular conhecimento e prática nas políticas externas. Em termos simbólicos, é o reforço dos alicerces do saber ao serviço da política: a caneta que pesa quando escrita nas capitais ganha respaldo nas salas de aula e nos centros de pesquisa.
Trajetória política na Itália
No plano nacional, Luigi Di Maio teve trajetória rápida e visível: liderança no Movimento 5 Stelle entre 2017 e 2020, cargos de ministro do Desenvolvimento Econômico e vice-primeiro-ministro no primeiro governo Conte, seguido pelo posto de ministro das Relações Exteriores nos governos Conte 2 e Draghi. Em 2022, deixou o M5S para fundar o movimento Impegno Civico, que obteve 0,60% dos votos nas eleições de setembro de 2022 (169.405 votos).
Para observadores políticos e acadêmicos, a nomeação no King’s College funciona como um componente da construção de autoridade internacional de Di Maio: é conhecimento que amplia influência, e influência que potencialmente retorna em maior legitimidade política. No entanto, convém acompanhar como serão articuladas as obrigações acadêmicas com o mandato europeu, para evitar sobreposição indevida de funções e preservar a transparência institucional.
O que vigiar
O fato em si representa mais do que um título honorífico: é um nó na ponte entre as esferas pública e científica. Será importante observar os temas que Di Maio irá abordar em seminários e pesquisas, os parceiros acadêmicos com que colabora e de que forma esse intercâmbio poderá influenciar políticas públicas da UE no Golfo. A nomeação também coloca em evidência a estratégia de soft power europeia, que se apoia tanto em diplomatas quanto em centros de ensino para consolidar posições estratégicas.
Como repórter que observa os alicerces da lei e da diplomacia, sigo atento aos próximos passos dessa construção: quais saberes serão trazidos à mesa, e como serão traduzidos em ações que impactem a vida de cidadãos, imigrantes e comunidades ítalo-descendentes alinhadas com os interesses europeus.
Giuseppe Borgo – Espresso Italia






















