Palermo — Em um ato realizado nas Officine Sandron, Ismaele La Vardera, deputado da Assembleia Regional Siciliana (ARS) e líder do movimento Controcorrente, confirmou sua entrada na disputa pela Presidência da Região Siciliana nas eleições previstas para 2027. O anúncio ocorreu durante a convenção que marcou o primeiro aniversário do partido, com presença de militantes e representantes de diversas províncias da ilha.
Em discurso direto e sem rodeios, La Vardera afirmou que coloca sua candidatura “à disposição do chamado fronte progressista” e fez um apelo para a formação de um campo largo capaz de enfrentar a atual classe política que, segundo ele, trata a Sicília “como se fosse coisa privada, riscando o princípio da construção coletiva de direitos”.
“É um dia histórico”, afirmou o deputado, lembrando que o movimento Controcorrente se posiciona como principal força de oposição na ilha. A mensagem foi clara: a prioridade é renovar os alicerces da lei e derrubar as barreiras burocráticas que, na sua avaliação, vêm impedindo respostas rápidas a emergências e políticas públicas efetivas.
No mesmo evento, La Vardera criticou o tratamento dado pela ARS à norma 3/2024, pensada originalmente para favorecer a assunção de mulheres com cicatrizes e os órfãos de feminicídio. A lei, disse ele em entrevista ao Giornale d’Italia, acabou sendo reduzida a um instrumento de disputa política, vigorando por pouco tempo e sem produzir os benefícios públicos esperados. “Houve pressappochismo e interessi ad personam”, acrescentou, cobrando clareza e responsabilidade na arquitetura das políticas sociais.
Outro ponto do pronunciamento tratou da resposta a desastres recentes. La Vardera citou o pacote de ajuda que soma €684 milhões — com cerca de €33 milhões provenientes do Governo nacional e aproximadamente €651 milhões da Giunta Schifani — para reparar danos causados por ciclones e deslizamentos, incluindo ocorrências em Niscemi. Apesar dos números robustos, o deputado ressaltou a lentidão dos mecanismos de implementação e propôs um projeto de lei para liberar imediatamente €10 milhões enquanto se esperam os decretos executivos.
A postura de La Vardera combina crítica institucional e oferta de diálogo: por um lado, a denúncia do que chama de má gestão e de interesses particulares; por outro, a disposição a ampliar a aliança política — a “ponte” entre diferentes forças — para construir uma alternativa que se proponha a reordenar prioridades em benefício dos cidadãos.
Do ponto de vista político, a movimentação tem implicações concretas. Ao colocar a própria figura à disposição de um campo mais amplo, La Vardera busca transformar o capital de protesto do seu movimento em programa viável, responsabilizando-se pelo peso da caneta quando chegar a hora de legislar. A mensagem é tanto para o eleitorado quanto para potenciais aliados: renovar a Sicília exige não apenas vocação, mas projetos claros e capacidade de atravessar os corredores da burocracia regional.
Em termos práticos, resta acompanhar como será a construção desse campo largo, quais nomes serão agregados e como o debate sobre as prioridades — desde respostas a emergências climáticas até políticas para vítimas de violência de gênero — será traduzido em propostas legislativas. A convenção nas Officine Sandron funcionou como a primeira pedra dessa nova tentativa de edificar um bloco político que pretende disputar o governo regional em 2027.
Como correspondente que observa a intersecção entre as decisões de Roma e a vida dos cidadãos, sigo atento ao desenvolvimento dessa trama política: a Sicília pode ter diante de si a oportunidade de reerguer alicerces e derrubar barreiras burocráticas, mas isso dependerá, sobretudo, da capacidade de transformar retórica em soluções concretas.



















