Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
As relações diplomáticas entre Roma e Teerã voltaram a se tensas nesta semana: a embaixadora italiana no Irã, Paola Amadei, foi convocada ao Ministério das Relações Exteriores em Teerã depois que o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, propôs a inclusão dos Pasdaran — o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica — na lista europeia de organizações terroristas.
A proposta, apresentada por Tajani nas últimas horas e anunciada em suas redes sociais, surge em resposta à violenta repressão das recentes manifestações antigovernamentais no país. “As perdas sofridas pela população civil impõem uma resposta clara”, escreveu o ministro, acrescentando que levaria a sugestão à reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia em Bruxelas, para além de medidas punitivas individuais contra os responsáveis pelos atos de violência.
As estimativas sobre o número de mortos variam significativamente e alimentam o debate. A revista Time chegou a noticiar, no domingo passado, até 30 mil mortos em apenas dois dias de protestos (8 e 9 de janeiro). O governo iraniano, por sua vez, apresentou números muito mais baixos: o ministro das Relações Exteriores do Irã falou em 3.117 vítimas ao longo de todo o período de dissenso. Essas discrepâncias contribuíram para a escalada retórica entre Roma e Teerã.
Em Teerã, a convocação de Paola Amadei foi interpretada como uma reação oficial ante uma iniciativa que o governo iraniano qualificou de “pouco ponderada”. A diplomacia iraniana deixou claro que vê a proposta italiana como uma afronta que complica canais já frágeis de diálogo. Em tempos de tensão, cada gesto é um novo tijolo ou uma possível rachadura na construção das relações bilaterais — e a resposta de Teerã foi imediata.
O episódio ocorre num contexto regional já carregado: há relatos sobre a possibilidade de ações militares pontuais na região, movimentações navais e um aumento do alerta diplomático. Fontes noticiaram que Washington avalia opções de ataques direcionados, enquanto capitais europeias acompanham com apreensão. A própria Itália adotou medidas de precaução, inclusive movendo procedimentos de segurança e reavaliando a presença de pessoal diplomático em áreas de risco.
Do ponto de vista político em Roma, a iniciativa de Tajani busca traduzir em sanções e rotulação jurídica uma resposta àquilo que é visto como “o peso da caneta” travando a impunidade. Para a sociedade civil e para imigrantes ítalo-descendentes com familiares no Irã, a decisão tem consequências concretas: ela pode alterar fluxos diplomáticos, pedidos de visto, cooperação consular e, sobretudo, a capacidade de diálogo em situações de crise.
Resta à União Europeia e aos parceiros internacionais avaliar se a inclusão dos Pasdaran na lista de organizações terroristas será adotada em bloco, e ponderar o impacto prático de uma medida que, além de simbólica, pode mudar a arquitetura das sanções e das relações com Teerã. Em cenário tão volátil, o dever de um Estado responsável é construir pontes e proteger cidadãos, sem derrubar, sem necessidade, os alicerces mínimos da diplomacia.
Continuarei acompanhando e reportando cada desenvolvimento: a política é a construção diária de garantias para a cidadania, e o papel do jornalismo é traduzir essas decisões de Roma para quem vive as consequências, aqui e lá fora.






















