Giorno del Ricordo é celebrado hoje na Itália, um dia dedicado a lembrar uma página dolorosa da história nacional marcada pelas foibe e pelo esodo giuliano-dalmata. A presidente do Conselho, Giorgia Meloni, publica em sua conta no X uma chamada clara para a preservação da memória e contra qualquer tentativa de negar ou minimizar esses eventos.
Na declaração, Meloni afirma que o país deve enfrentar “essa verdade”, rejeitando “todo tentativo squallido negazionista ou riduzionista”. Para a primeira-ministra, o ato de lembrar não busca alimentar rancores, mas estabelecer justiça e constituir “o alicerce de uma memória compartilhada que une e fortalece a comunidade nacional”. “Temos recebido um testemunho e não queremos deixá-lo cair”, conclui Meloni, evocando a responsabilidade das gerações presentes para com as futuras.
No mesmo tom institucional, o ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, disse em discurso na Câmara que o Giorno del Ricordo “não quer ser fonte de vendetta, recriminação ou revanchismo”. Tajani contextualizou os acontecimentos na derrocada do regime comunista e fez um apelo claro às nações surgidas da dissolução da antiga Jugoslávia: “Hoje Eslovênia e Croácia são países amigos”, afirmou, estendendo a mão em sinal de cooperação respeitosa.
O ministro lembrou também o gesto simbólico de reconciliação ocorrido em 13 de julho de 2020, quando o presidente Sergio Mattarella e o então presidente esloveno Borut Pahor se deram as mãos diante da Foiba de Basovizza, em Trieste — um momento que Tajani definiu como “o símbolo mais potente do abraço entre povos finalmente reencontrados”.
A celebração nacional presta homenagem às vítimas das foibe, aos exilados do esodo giuliano-dalmata, às suas famílias e às associações que, ao longo de décadas, mantiveram viva a memória dessa tragédia marcada pela dor, pelo luto e pelas perdas. Milhares de civis — idosos, mulheres, muitos crianças — foram forçados a abandonar suas casas, perseguidos por sua pertença étnica, por ideias políticas ou pela fé.
Entre as iniciativas promovidas pelo Governo neste dia, destaca-se o chamado “Treno del Ricordo”, que de Norte a Sul do país retrata simbolicamente a jornada de quem teve de escolher entre ficar e perder a própria identidade ou partir e preservar suas raízes. A medida quer ser parte de uma construção mais ampla: derrubar barreiras burocráticas da esquecimento e edificar uma ponte entre gerações e entre nações.
Como correspondente que vigia a arquitetura das decisões públicas e seu impacto sobre cidadãos e comunidades, registro que a lembrança institucional deve sempre caminhar ao lado de políticas públicas que garantam justiça, educação e reconhecimento. O peso da caneta que sela leis e o esforço cotidiano das associações civis constituem juntos os blocos para reconstruir direitos e assegurar que episódios tão graves não sejam simplesmente relegados ao silêncio.
Encerrando, a mensagem oficial é de respeito e preservação da memória: uma convocação para que a Itália inteira — não apenas as populações de fronteira ou os descendentes giuliano-dalmatas — reconheça essa história como parte integrante de sua identidade e se comprometa com a convivência, a dignidade e a paz.






















