Por Giuseppe Borgo — Em mais um movimento que une a cena política de Roma ao mercado editorial de Washington, chega aos Estados Unidos a edição em inglês do livro-entrevista Giorgia’s Vision, no qual a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, é entrevistada pelo jornalista Alessandro Sallusti. O detalhe que tem chamado atenção internacional é a escolha do prefaciador: o vice-presidente americano JD Vance assina a apresentação da edição norte-americana, segundo apurou a jornalista Sophia Cai, do Politico.
A publicação — prevista para abril — traz ainda na capa uma frase do ex-presidente Donald Trump, descrevendo Meloni como “uma das verdadeiras líderes do mundo”. A imagem da capa foi divulgada pela própria Sophia Cai em sua conta no X, provocando repercussão imediata entre observadores políticos dos dois lados do Atlântico.
Não é a primeira vez que a trajetória da primeira-ministra italiana recebe tratamento editorial transatlântico. O primeiro livro assinado por Meloni, Io sono Giorgia, também teve circulação nos EUA, com prefácio assinado por Donald Trump Jr. Agora, a versão americana de Giorgia’s Vision — originalmente publicado na Itália pela Rizzoli em 2023 — já aparece em pré-venda em algumas plataformas, acompanhada de uma apresentação que destaca o teor político e pessoal do volume.
Segundo a sinopse divulgada, em Giorgia’s Vision a premiê “revela sua visão genuína da vida e do mundo”. O livro aborda, em tom de testemunho e plano político, temas que vão da guerra na Ucrânia à crise energética, da transição ecológica à inflação. O núcleo da proposta de Meloni, conforme a apresentação, enfatiza a responsabilidade individual, a iniciativa privada, a defesa da natureza, investimentos seletivos para estimular o crescimento e reduzir a dívida pública, além de uma Europa com papel de liderança global e sensível às necessidades dos cidadãos.
Chama atenção a menção a um chamado “Plano Mattei” — expressão que evoca estratégia de desenvolvimento para o Médio Oriente e a África — anunciado como instrumento para gerar oportunidades e desenvolvimento nessas regiões. No conjunto, o livro se posiciona como um manual de prioridades: economia, segurança e identidade cultural.
O formato do volume é composto por onze entrevistas, nas quais Meloni se apresenta “como uma líder transformadora” que defende “uma governança forte e a preservação da cultura”, mesclando anedotas pessoais com ambições políticas mais amplas. Em um trecho destacado, a premiê afirma, já em diálogo com Sallusti, que é essencial que os cidadãos italianos vejam “um governo que, certamente, tem limites e dificuldades, e talvez até cometa erros. Mas que trabalha de boa-fé, com humildade e amor. Um governo que não nomeia amigos para cargos, que não atende lobby nem retribui poderosos. Um governo que não puxa a sardinha para ninguém e tem coragem de dizer o que não pode ser feito em determinado momento ou contexto.”
Do ponto de vista do observador que monitora a arquitetura das relações entre Roma e Washington, a edição americana de Giorgia’s Vision é mais um tijolo na construção de uma ponte simbólica e política entre as elites conservadoras de ambos os países. A presença de figuras como JD Vance e os elogios públicos de Donald Trump funcionam como validação perante um eleitorado internacional que valoriza redes e endossos.
Resta observar como a circulação do livro nos EUA influenciará a percepção pública sobre as políticas de Meloni, tanto entre ítalo-descendentes quanto entre responsáveis por formular acordos de cooperação transatlântica. Num momento em que decisões políticas têm efeitos concretos na vida dos cidadãos — imigrantes, desempregados, empresários e famílias — o lançamento promete reacender debates sobre prioridades de governo, soberania e parcerias estratégicas.
Em termos práticos, a edição americana de Giorgia’s Vision deverá ser lançada em abril e já pode ser encontrada em pré-venda em lojas online, com destaque para o prefácio de JD Vance e a citação de Donald Trump na capa.






















