A investigação da Procura de Roma por peculato e corrupção abrange quatro membros do colegiado da Autoridade Garante da Proteção de Dados, entre eles o presidente Pasquale Stanzione. O inquérito está coordenado pelo procurador‑adjunto Giuseppe De Falco.
Os investigadores falam em uma “condotta disinvolta“: não apenas na gestão de verbas públicas, mas também no uso das auto blu oficiais, teoricamente destinadas ao exercício do mandato. Segundo a acusação, veículos seriam utilizados para fins privados, incluindo a visita de um dos membros do colegiado à sede do partido Fratelli d’Italia, ocorrida pouco antes de uma multa milionária aplicada à Rai por um episódio do programa Report.
As suspeitas dos magistrados alcançam também as decisões sobre procedimentos sancionatórios. A Procuradoria investiga a hipótese de sanções suavizadas com base em relações pessoais com empresas ou em troca de favores. Dois casos estão no centro das apurações: a multa de 44 milhões de euros imposta inicialmente à Meta — relativa aos primeiros óculos inteligentes comercializados pela empresa, os Ray‑Ban Stories — que acabou sem efeito; e a adoção de uma sanção à Ita Airways supostamente em troca de cartões de fidelidade da companhia.
De acordo com o decreto de busca e apreensão, integrantes do colegiado teriam recebido cartões Volare Executive, avaliados em cerca de 6 mil euros cada. O procedimento foi desencadeado após uma série de reportagens exibidas pelo programa Report, que motivaram diligências da Guardia di Finanza. Na última quinta‑feira, agentes realizaram perquisições nos escritórios do Garante e apreenderam documentos, telefones e computadores dos investigados em busca de provas complementares.
Em nota, o Collegio del Garante declarou plena confiança no trabalho da magistratura e afirmou estar certo de que conseguirá demonstrar a estraneidade aos fatos apontados: “o Collegio confirma a vontade de prosseguir seu trabalho em defesa da privacy e dos direitos fundamentais dos cidadãos”. Já o presidente Stanzione afirmou estar tranquilo diante das acusações.
O inquérito associa, além de Stanzione, os nomes de Ginevra Cerrina Feroni, Agostino Ghiglia e Guido Scorza. A construção do caso apoiou‑se também em depoimentos de testemunhas, entre as quais o ex‑segretário‑geral Angelo Fanizza, que renunciou ao cargo há cerca de dois meses após o episódio envolvendo a requisição de verificações em e‑mails de funcionários na tentativa de localizar a suposta “fonte” que forneceu material ao programa Report.
O jornalista Sigfrido Ranucci, apresentador de Report, comentou nas redes sociais que a investigação se concentra em despesas de representação do colegiado e na suposta omissão de punição efetiva contra a Meta pelos Ray‑Ban Stories. Enquanto isso, a Guardia di Finanza busca elementos que possam consolidar a tese dos promotores: transações, comunicações e registros de viagens e uso de veículos oficiais.
Como repórter com foco na intersecção entre decisões de Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, vejo neste caso uma batalha pelo alicerce da confiança pública: a arquitetura das instituições está sendo testada por alegações que tocam o uso do peso da caneta e dos recursos públicos. Se comprovadas, as práticas descritas corroeriam a ponte entre autoridades reguladoras e a proteção efetiva dos direitos individuais. Se infundadas, a correta investigação deve servir para restabelecer a credibilidade do órgão.
O processo está em fase de coleta e análise de provas. A Procuradoria, por ora, mantém a investigação aberta e segue a busca por novos elementos, enquanto os integrantes do colegiado prometem provar sua inocência em relação às acusações de spese pazze e favorecimentos.





















