Por Giuseppe Borgo — O anúncio do projeto político Futuro Nazionale, liderado pelo ex-general Roberto Vannacci, já encontrou um obstáculo concreto muito antes de medir o suporte eleitoral: a impossibilidade de usar o próprio nome e o símbolo. A fragilidade está nos alicerces do novo partido — a propriedade do registro — e a confusão transformou-se rapidamente em questão jurídica e política.
Quem lançou o alerta foi Guido Giacometti, presidente da associação Mondo al contrario, que formalmente pediu às equipes próximas a Vannacci que se abstenham de usar o nome e o símbolo de Futuro Nazionale, seja nas redes sociais ou em qualquer manifestação pública. A mensagem é direta: sem a organização formal e a titularidade do registro, toda iniciativa pode acarretar consequências legais. Ou, nas palavras do costumeiro pragmatismo institucional, sem organização não há narrativa.
O nome Futuro Nazionale não é novidade no panorama político. Segundo apurado, o registro teria sido feito entre 2010 e 2011 por Riccardo Mercante, ex-conselheiro regional do Movimento 5 Stelle no Abruzzo, falecido em 2020. O emblema, segundo fontes, estaria agora nas mãos da esposa de Mercante, que não demonstrou intenção de transferi-lo para o projeto do ex-general. Assim, o que deveria ser um símbolo identitário passou a ser um ponto de tensão vindo de um campo político diferente.
Contudo, há matizes técnicos que complicam a narrativa: uma verificação da ANSA indica que o registro da marca possivelmente não foi renovado ao fim dos dez anos de proteção, o que poderia significar que o direito caducou. A questão, portanto, transforma-se numa batalha entre disponibilidade e direito hereditário — um caso técnico que assume imediata projecção política.
O jurista citado pela Adnkronos, Gabriele Maestri, resume o nó: a família Mercante pode não desejar que o nome seja associado a Vannacci, mas, se o marco legal do registro expirou, talvez não existam meios legais para impedir o uso. Em outras palavras, o peso da caneta sobre o papel registral pode ter vencido o peso simbólico da memória política.
Vannacci, por sua vez, minimizou a controvérsia: “O símbolo continuará a ser usado até que alguém me o impeça”. Está marcada para 16 de fevereiro uma assembleia geral dos seus grupos de apoio, entre outros temas para esclarecer este ponto — porque sem nome e símbolo um partido permanece como intenção, não como entidade constituída.
Enquanto isso, a geometria parlamentar começa a se alterar. Dois deputados oriundos da Lega, Rossano Sasso e Edoardo Ziello, abandonaram o partido de Matteo Salvini e se transferiram para o Grupo Misto, onde já estava Emanuele Pozzolo, outro alinhado com Vannacci. Outro nome frequentemente associado ao círculo do ex-general, Domenico Furgiuele, decidiu permanecer na Lega. São deslocamentos que mostram: a arquitetura das alianças muitas vezes começa a ser erguida antes da inauguração formal de um novo partido.
Além da controvérsia do logotipo, permanece o essencial da agenda política de Vannacci: linhas de perfil pró-Putin e uma forte ênfase securitária. O alinhamento de alguns dos recém-chegados — que, pouco antes da troca de filiação, destacaram-se por votar contra o envio de armas a Kiev — reforça esse perfil ideológico e oferece pistas sobre os alicerces programáticos do movimento ainda em formação.
O caso de Futuro Nazionale é um exemplo de como, na cena política italiana, disputas aparentemente técnicas sobre marcas e símbolos rapidamente constroem pontes e trincheiras na vida pública. A fundação de um partido não acontece apenas com um ato de vontade: precisa de registro, suporte e da remoção das barreiras burocráticas que, muitas vezes, definem se um projeto político será apenas uma intenção ou um novo sujeito na arena cívica.






















