Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — O ministro Guido Crosetto fez uma pausa na rotina ministerial para cumprir um gesto simples e simbólico: foi tomar café com o pai de Angelo Bonelli, o ex-carabiniere Luigi Bonelli, que completou 102 anos. A visita ocorreu cedo, às 8h10, na casa do aniversariante em Acilia, nos arredores de Roma, e teve bolo, velas e a informalidade que aproxima as pessoas do poder.
O episódio começou com uma carta recebida pelo ministro: um pedido de café entre um senhor que se dizia ex-carabiniere e o titular do Ministério da Defesa. Crosetto contou que, após ler a carta, pegou o carro e foi até a residência do idoso. Antes de divulgar o encontro, o ministro pediu a autorização de Angelo Bonelli para relatar o encontro.
“Recebi uma carta de um senhor, um ex-carabiniere, que dizia que hoje faria 102 anos e que gostaria de tomar um café com o ministro da Defesa. Então peguei o carro e, às 8h10, estava na casa dele em Acilia para tomar café”, relatou o ministro, definindo o aniversariante como um “homem que fez a História“. Na ocasião, Crosetto comentou com leveza que a alegria do encontro talvez tenha sido maior para ele do que para o próprio idoso: “Ficou mais contente eu do que ele”, disse, lembrando que Luigi Bonelli participou da Segunda Guerra Mundial, trabalhou na caçada ao bandido Giuliano e ajudou a escrever parte da história do país. “Ele está de cabeça muito melhor do que eu”, acrescentou.
O filho, Angelo Bonelli, presente no momento, agradeceu com emoção a visita do ministro e confirmou que o pai ficou “muito contente”. As memórias de Luigi foram trazidas à tona por relatos familiares: quando se alistou aos 18 anos, em 1942, saiu de Ravanusa (província de Agrigento) com uma mala que a mãe encheu de macarrão e queijo para entregar a uma tia em Palermo. Enviado à Roma, manteve a mala consigo e, ao cruzar com um jovem marechal que tinha filhos pequenos, entregou-lhe a mala. Ao abri-la, o marechal chorou de emoção — um episódio que o filho definiu como prova da generosidade entre as pessoas mesmo em tempos de guerra.
No sábado seguinte, a família de Luigi Bonelli — incluindo 16 netos — e os carabinieri do comando local realizarão uma comemoração mais ampla. O gesto de Crosetto transformou um encontro privado em uma imagem pública carregada de significado: a caneta que dita políticas encontra, por alguns minutos, o vestido simples da memória pessoal. É uma pequena ponte entre a administração e a vida real dos cidadãos, um alicerce simbólico na arquitetura da convivência cívica.
Enquanto as narrativas oficiais frequentemente constroem grandes episódios, são esses gestos cotidianos que relembram o papel humano das instituições. A visita sublinha também a importância de preservar a memória dos antigos servidores, daqueles que integraram as forças que ajudaram a moldar a República. Em tempos de polarização, atos assim funcionam como tijolos silenciosos na construção de direitos e reconhecimento.






















