Por Giuseppe Borgo — O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, afirmou na Câmara dos Deputados que o recente ataque ao Irã ocorreu “fora das regras do direito internacional” e destacou a incapacidade prática dos governos em impedir o episódio no momento em que foi desencadeado.
Na réplica às comunicações parlamentares sobre o pedido de apoio dos países do Golfo, Crosetto explicou que “nenhum país do mundo foi informado do ataque ao Irã” e que nem mesmo a alta cadeia de comando estadunidense o conhecia, porque a ação israelense teria começado apenas quando se tornou pública a posição de Khamenei. “Trata‑se de um ataque às escondidas do mundo, cujas consequências nós agora temos de gerir”, disse o ministro.
O ministro lembrou que a Farnesina está realizando um trabalho “extraordinário” para repatriar os cidadãos italianos bloqueados na região. Crosetto advertiu que os efeitos econômicos do conflito “entrarão nas casas de todos” e terão um impacto dramático: “É preocupante que a crise possa desencadear outras, penso na Rússia e nas pressões que os nacionalistas exercem sobre Putin para empurrá‑lo a ações que nem mesmo ele, talvez, queira tomar”.
Sobre o apoio solicitado ao Parlamento, Crosetto insistiu que “a parte em que pedimos apoio é aquilo que deve nos ver unidos”. A concessão do uso de bases italianas, explicou, segue o mesmo tratado que permite o uso de bases espanholas — “logo, concederemos o mesmo uso que concede Sánchez, que é o ‘herói’…”, afirmou, em tom crítico, referindo‑se à atuação espanhola.
Quanto ao auxílio aos países do Golfo, Crosetto o classificou como legítimo e necessário. Ele informou que a assistência está sendo coordenada com outras nações europeias: “cinco navios atuando juntos têm um valor diferente de cinco navios isolados”. E ressaltou um fator geopolítico que a Itália pode aproveitar: “se há um país que ainda mantém canais de diálogo abertos com o Irã, esse país é a Itália”.
A novidade — no termo usado por Crosetto — é a reação iraniana, cujo alcance foi “não previsto”: os ataques não se limitaram a alvos israelenses, mas se estenderam a uma área mais ampla, com repercussões na energia e na economia global. O ministro citou o comportamento da Turquia e de Chipre como indicativo de que o raio de ação do conflito depende da capacidade balística do Irã. “Se tivesse esse alcance, poderia atingir praticamente qualquer objetivo, e isso é mais um elemento de preocupação”, destacou.
Como repórter político, vejo nesta declaração a confirmação de que estamos diante de uma arquitetura de crise em construção: decisões tomadas longe do olhar público produzem alicerces frágeis para a segurança coletiva. A Itália, embora limitada no poder de contenção, mantém pontos de contato diplomáticos que podem funcionar como pontes entre nações num momento em que a burocracia e o ruído político ameaçam enfraquecer respostas efetivas.
Em termos práticos, as mensagens de Crosetto servem para deixar claros direitos e deveres perante o Parlamento e a sociedade: esclarecer que o uso de bases segue tratados, que a proteção de cidadãos é prioridade e que os impactos econômicos devem ser enfrentados com políticas concretas. A construção de respostas — jurídicas, humanitárias e logísticas — passa por estes alicerces, ao mesmo tempo em que o país tenta derrubar barreiras burocráticas que atrapalham a logística de retirada e o apoio internacional.
Seguiremos acompanhando as repercussões parlamentares e diplomáticas desta fase, informando com rigor acessível sobre o que muda na vida dos cidadãos, imigrantes e ítalo‑descendentes afetados por este novo capítulo de tensão no Oriente Médio.





















