Por Giuseppe Borgo – Espresso Italia. A Lega vive um momento de tensão interna que expõe duas linhas de força no partido: a disciplina da liderança e a voz dissidente de quem reclama uma abordagem diferente sobre a guerra na Ucrânia. O conflito ficou mais visível depois que foi apresentado um emendamento ao dl Ucraina que altera o título, introduzindo novamente a palavra militares. A iniciativa parlamentar é assinada por deputadas e deputados de diferentes grupos: Eugenio Zoffili (Lega), Monica Ciamburro (FdI), Gloria Saccani Jotti (FI) e Mara Carfagna (Noi Moderati).
Embora um dirigente de Fratelli d’Italia garanta que “a substância não muda”, o fato abriu uma ferida entre as correntes internas da Lega. A ruptura ficou mais evidente depois do voto divergente de dois esponentes leghistas, Edoardo Ziello e Rossano Sasso, numa resolução ligada às comunicações em Montecitorio do ministro da Defesa, Guido Crosetto. O episódio deixou os grupos parlamentares de via Bellerio em alerta.
Entre 23 e 25 de janeiro, em Roccaraso e Rivisondoli, acontecerá a iniciativa “Idee in Movimento“, três dias de debates com ministros, subsecretários, sociedade civil, dirigentes, militantes e jovens leghistas. Está sendo preparado um manifesto que, segundo corre no partido, soaria como uma confissão das ideias do eurodeputado Francesco Vannacci. Há membros próximos ao general que sussurram: “Se essa é a linha, pode acontecer de tudo” — inclusive a hipótese de Vannacci seguir sozinho e criar uma nova formação.
Os apoiadores do vice-secretário argumentam que a visibilidade das posições divergentes pode tornar a fratura irreparável. Nos trabalhos das comissões de Defesa e de Relações Exteriores da Câmara, onde o dl Ucraina está em discussão, já se espera um sinal sobre o novo título da proposta.
Do Senado, o senador Claudio Borghi lançou uma pedra: “Não vou votar o próximo decreto sobre a Ucrânia, eu disse e confirmo”. Do alto da cena política, o líder Matteo Salvini tentou acalmar. “Conto que os próximos meses sejam os da fim do conflito entre Rússia e Ucrânia, então não haverá mais necessidade de outros decretos Ucraina”, disse, em tom pragmático, avaliando o peso da caneta como parte da política externa italiana.
Assumindo a função de mediador, o vice-premier e ministro dos Transportes afirmou: “Há lugar para capitães e generais, mas sobretudo para a tropa. A força da Lega é a equipe“. A imagem é clara: Salvini se coloca como o arquiteto que tenta manter os alicerces do partido intactos, construindo pontes internas para evitar um colapso.
Vannacci, por sua vez, reafirmou seu apelo contra o envio de armas para a Ucrânia: “Meu apelo sobre o não às armas era dirigido a todos, porque chegar a uma paz é interesse nacional. Esta guerra não trouxe nada de bom à Itália: menos comércio, menos riqueza e um custo de vida mais alto”. O europarlamentar garante: “Não me deixo condicionar”.
Do lado de Forza Italia, o secretário Antonio Tajani foi claro: “Vannacci? O líder da Lega é Matteo Salvini, conta o que ele diz”. Já fontes próximas ao general criticam a direção: “O problema não é Salvini, mas quem está ao redor dele…”. O conselheiro regional veneto da Lega, Stefano Valdegamberi, lembra que houve declarações públicas do partido que depois não se refletiram nas votações: “Este é um dado de fato”.
O episódio deixa evidente que a arquitetura do partido está sendo testada. Entre ajustes de títulos legislativos e declarações públicas, o desenho político se transforma em obra em andamento: alguns tentam reforçar os pilares da disciplina, outros querem derrubar barreiras burocráticas e ideológicas que, segundo eles, afastam a Lega de seu eleitorado. Nas próximas semanas, especialmente durante o encontro em Roccaraso, será possível ver se a construção da unidade prevalecerá ou se surgirão novas fraturas que redesenhem o mapa das forças à direita.






















