Fatta, quase feita, adiada. Assim se desenha a tentativa de nomeação de Federico Freni como presidente da Consob, que hoje não foi ratificada: a decisão foi suspensa por um choque político dentro do centrodestra. O episódio expõe as fissuras na coalizão e as tensões sobre os critérios de independência exigidos para a cadeira que regula mercados e bolsas.
No fim da tarde, o Consiglio dei Ministri optou por congelar a deliberação e postergar a decisão por pelo menos uma semana. Atualmente, quem chefia a Comissão nacional para as sociedades e a Borsa é Paolo Savona, nomeado em 2019 no primeiro governo Conte (Lega-M5S), cujo mandato vence no começo de março.
O encontro ministerial, breve — durou apenas 20 minutos —, foi tudo menos sereno. Fontes governamentais inicialmente filtraram a intenção de abrir a via para a nomeação de Freni como “componente” da Consob, para em seguida ver a deliberação ser adiada. Oficialmente, a justificativa apontada por representantes do centro-direita foi a necessidade de aprofundar o requisito de independência do futuro presidente.
Na trincheira partidária, Forza Italia reivindicou publicamente ter bloqueado a escolha de Freni para a presidência, sem, no entanto, se opor a um eventual cargo de conselheiro. A relutância dos azzurri já tinha se manifestado mais cedo, com líderes do partido irritados por terem lido nos jornais sobre um acordo do qual não haviam sido informados.
Raffaele Nevi resumiu a posição do partido: “a designação de um político à Consob não convence”, preferindo-se um técnico “autoritativo e reconhecido pelos operadores”. Do lado da Fratelli d’Italia, Marco Osnato ponderou que o subsecretário ao Tesouro “tem todas as características” para dirigir o regulador, mas alertou que ele é também “uma peça importante no tabuleiro do Mef”.
O apoio mais visível veio do líder da Lega, Matteo Salvini, que defendeu: “Freni foi um excelente subsecretário à Economia e pode desempenhar igualmente bem outras funções”. Também Maurizio Lupi, à frente de Noi Moderati, pediu para evitar “vetos prejulgados”, lembrando a delicadeza do momento para a economia italiana e questionando a ideia de que técnicos sejam sempre superiores.
Há semanas, Freni vinha sendo dado como favorito. Deputado e subsecretário com perfil diplomático, é apreciado por muitos parlamentares e conhecido por um lema que costuma repetir — emprestado de Talleyrand: “acima de tudo, sem zelo excessivo” —, indicação de uma atuação discreta e cautelosa. Relatos internos também mencionam que a primeira-ministra Giorgia Meloni nutre consideração por ele, mas que está reticente em efetuar concessões à Lega num momento em que marca posição em várias frentes.
Ao final, o adiamento revela que a construção da direção da Consob segue com alicerces ainda por assentar; a ponte entre as decisões de Roma e a estabilidade dos mercados precisa de pedras firmes. As dúvidas sobre os requisitos de independência permanecem centrais e devem orientar as próximas rodadas de negociação — tanto nas câmaras ministeriais quanto nos corredores dos partidos.
Enquanto isso, a contagem regressiva para o fim do mandato de Paolo Savona continua, e o peso da caneta que selará a sucessão fica por ora suspenso, aguardando um acordo que não agrida demais a estrutura política do centro-direita.





















