Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — Em uma reunião realizada ontem em Palazzo Chigi, os líderes do centro-direita consolidaram um roteiro de iniciativas legislativas e políticas a serem levadas adiante até o fim da legislatura, acertando prioridades e formas de coordenação entre partidos, com atenção direta às consequências práticas para famílias, empresas e territórios.
No topo da agenda permanece o referendo sulla separação delle carriere, para o qual foi discutida a necessidade de um envolvimento mais direto da coalizão e a criação de um mecanismo de coordenação entre os partidos e os comitês promotores. Está previsto um encontro ad hoc para definir compromissos concretos sobre a estratégia de mobilização — com a distribuição de manifestos em todos os municípios — antes da consulta marcada para os dias 22 e 23 de março.
Também foram traçadas diretrizes sobre as próximas eleições administrativas. A coalizão se reunir -á ainda esta semana para apertar o quadro de candidaturas, com destaque para Veneza, o maior município em disputa. Um panorama mais claro das escolhas locais é esperado até o fim do mês, quando os alicerces da estratégia municipal deverão estar assentados.
Por ora, porém, os holofotes estão voltados sobretudo para o decreto de energia. O texto, que avança para o Conselho de Ministros, prevê, entre outras medidas, um contributo extraordinário de 90 euros para 2026 destinado às famílias beneficiárias do bonus social na fatura elétrica. O ponto que ainda requer afinação é o artigo 3, relativo às “medidas urgentes para promover a contratação de longo prazo da produção de energia elétrica a partir de fontes renováveis por parte das empresas”. Fontes do centro-direita informaram que está em curso um confronto com algumas regiões — em especial a Lombardia — e um trabalho de lapidação para mitigar potenciais observações da Comissão Europeia, de modo a preservar tanto a eficácia das medidas quanto a conformidade com as regras comunitárias.
Ao término do encontro em Palazzo Chigi, chegou ao local o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, para alinhamentos sobre as implicações orçamentárias dos atos em preparação. Na pauta do próximo Conselho de Ministros também está o chamado decreto maltempo, cuja formulação tem reunido representantes do Governo e autoridades regionais. Ontem, esteve presente no edifício do Governo o presidente da Região Sicília, Renato Schifani, em sinal da urgência em fechar o pacote de apoio às áreas afetadas.
Segundo a primeira-dama do Executivo, a medida para os desastres climáticos incluirá indennizzi e iniciativas de apoio às atividades econômicas, com foco particular na agricultura. Prevê-se suspensão de tributos até abril — o que, na prática, significa adiamento de pagamentos ao menos até outubro — além da ativação de ammortizzatori sociali sob a coordenação do Ministério do Trabalho. A primeira-ministra também indicou a disponibilização de várias centenas de milhões de euros para o restabelecimento da infraestrutura e dos serviços; apenas para Niscemi haveria uma dotação estimada em 150 milhões.
Hoje o Parlamento volta seus olhos para as comunicações do ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani, na Câmara, sobre a participação da Itália, em qualidade de Estado observador, no Board para Gaza. Está previsto o voto sobre as resoluções correlatas. No Governo prevalece a convicção de que a solução adotada pela Itália — a participação como observador — abriu caminho para que outros países optem por uma via semelhante. A escolha do status de observador foi justificada pela impossibilidade de integrar o Board como participante pleno, circunstância que impõe implicações políticas e diplomáticas que serão debatidas na sessão.
Como repórter político-fiscalizador, observo que as decisões tomadas em Roma têm efeito direto nos alicerces da vida cotidiana: desde o pequeno agricultor atingido pela intempérie até a família beneficiária do bonus social. A construção dessas respostas exige mais do que decretos — pede coordenação que funcione como ponte entre os níveis de governo, recursos financeiros claros e prazos transparentes. Se o Governo quer realmente derrubar barreiras burocráticas, os próximos passos devem transformar as linhas traçadas em ações mensuráveis, com calendário e responsabilização.
Nos próximos dias, será essencial acompanhar a redação final dos textos e os pronunciamentos na Câmara: o peso da caneta sobre esses atos determinará quanto do anunciado chegará efetivamente às pessoas e aos territórios que precisam.






















