Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — A Câmara dos Deputados deu na noite desta quarta-feira o sinal verde à questão de confiança colocada pelo governo sobre o decreto Ucrânia, com 207 votos a favor, 119 contra e 4 abstenções. O resultado abre o caminho para a continuação da tramitação legislativa: a proposta volta a ser debatida à tarde com a análise de 19 ordini del giorno, seguidas das declarações de voto finais e da votação final sobre o texto.
O decreto, que precisa ser convertido em lei até 1º de março, prorroga a autorização para a cessão de meios, materiais e equipamentos em favor das autoridades ucranianas; regula o renovamento dos permissões de residência em posse de cidadãos ucranianos; e prevê medidas para a segurança de jornalistas freelancers. Concluída a fase na Câmara, o texto será enviado ao Senado para a segunda leitura parlamentar: segundo a presidente de turno, Ronzulli, a matéria deverá chegar a Palazzo Madama entre 24 e 26 de fevereiro.
No plenário, a movimentação do grupo Futuro Nazionale mereceu atenção. Roberto Vannacci explicou a posição do seu partido: o voto a favor da confiança não implica apoio ao mérito do texto, mas visa delimitar um perímetro político que permita aos partidos definirem claramente suas posições. “Não somos instrumento da esquerda para desestabilizar a nação”, afirmou Vannacci, acrescentando que o partido manterá seus próprios ordini del giorno, que incluem o compromisso de interromper o fornecimento de armas ao exército de Zelensky, e que votará contra no escrutínio final.
A manobra dos “vannacciani” suscitou reação dentro do bloco de centro-direita. O líder do grupo na Câmara, Riccardo Molinari, criticou a iniciativa como uma forma de oportunismo político, qualificando o gesto como uma tentativa de preservar imagem e crédito após declarações recentes que, segundo ele, não se sustentam. “Mais do que futurismo, parece-nos transformismo”, disse Molinari em contato com a imprensa.
Do ponto de vista institucional, o episódio reforça a ideia de que a exigência de confiança é, muitas vezes, a ferramenta que estabelece os alicerces da negociação parlamentar — uma espécie de cimento político que define zonas de responsabilidade antes da discussão de conteúdo. Para a sociedade, porém, a questão prática continua a ser quais medidas concretas chegarão à Ucrânia — e em que condições serão observados direitos de imigrantes ucranianos e a proteção de profissionais da imprensa.
O calendário é apertado: com prazo até 1º de março para conversão em lei, as próximas votações e possíveis emendas terão impacto direto sobre a ajuda internacional e sobre a aplicação das medidas domésticas previstas no decreto. A travessia entre as decisões de Roma e as consequências na vida real dos cidadãos ucranianos e dos profissionais afetados permanece sendo uma ponte delicada a ser construída nos corredores do Parlamento.
Seguiremos acompanhando a tramitação no decorrer da tarde, com atenção especial às propostas alternativas apresentadas pelos grupos e ao posicionamento final de Futuro Nazionale na votação decisiva.





















