Em uma intervenção contundente na Câmara dos Deputados, o líder do partido Avs, Angelo Bonelli, trouxe ao plenário documentos que comprovam uma sucessão de ameaças de morte dirigidas a ele, a familiares e a colegas de bancada. Com o tom de um repórter que observa os alicerces da democracia, Bonelli mostrou cartas e mensagens que, segundo relatou, chegaram a conter a foto da sua esposa e de sua filha, além do endereço de sua residência.
Bonelli relatou que, nos últimos dias, ele e o deputado Fratoianni foram alvos de intimidações graves: menções a cortes com machete, ameaças de decapitação e mensagens explícitas como “prenderemo a martellate i vostri figli, vi spareremo in testa” — frases que o parlamentar traduziu ao apresentar os papéis na tribuna. Uma das cartas, segundo Bonelli, foi recebida por sua irmã e continha uma ameaça ainda mais macabra: ‘Lo appenderemo a piazza Maggiore a Bologna a testa in giù e gli staccheremo quella testa di merda’.
Ao expor os documentos, o líder do Avs informou que todas as ocorrências foram formalmente denunciadas às autoridades policiais. Ainda assim, pediu uma providência política: requereu uma informativa do ministro Piantedosi para esclarecer quais medidas o Ministério do Interior pretende adotar para rebaixar o nível de tensão política no país.
Bonelli criticou o que chamou de uso impróprio de referências às brigate rosse e assinalou que declarações públicas que associem o seu movimento a práticas violentas acabam por transformá-los em alvos. “Ouvi o ministro definir-nos como cúmplices dos distúrbios de Turim — transformando-nos em alvos. Essa não é a maneira de proceder”, afirmou, pedindo que a autoridade explique iniciativas para proteger deputados e reduzir a escalada verbal.
Em paralelo à denúncia institucional, Bonelli deixou um apelo dirigido aos jovens e aos manifestantes: “Não caiam na armadilha da violência. Saíam às ruas de forma pacífica porque a não violência é um instrumento revolucionário que desarma mentes e impede que se criminalize o dissenso”. A metáfora é pertinente: em tempos de polarização, é preciso reforçar pontes — não erguer muros — entre a política e a cidadania.
Como repórter especializado na intersecção entre decisões de Roma e vida cotidiana, registro que essas ameaças não são apenas um ataque a figuras públicas, mas um abalo aos alicerces da lei e à arquitetura do debate democrático. A exposição de intimidações com dados pessoais e imagens de familiares revela o risco concreto que medidas retóricas podem transformar em violência física.
Bonelli concluiu solicitando respostas claras sobre proteção e investigação, reafirmando que a política deve trabalhar como ponte entre instituições e sociedade, defendendo o direito ao dissenso sem o peso da intimidação. A expectativa agora é saber quais ações práticas o Ministério do Interior apresentará para reduzir a tensão e garantir segurança aos parlamentares e seus familiares.






















