Em entrevista à AdnKronos, o prefeito de Terni e líder da Alternativa Popolare, Stefano Bandecchi, descartou qualquer aproximação com Alessandro Vannacci e afirmou não ter vínculos com a extrema-direita. A declaração surge após a saída de Vannacci da Liga e a formação do novo partido de perfil radical, Futuro Nazionale.
Bandecchi, que se apresenta como ex-paracaidista da Folgore, reiterou sua origem política: “eu venho da Unione di Centro“. Segundo ele, sua linha é essencialmente liberal e focada em economia e trabalho, enquanto Vannacci estaria empenhado em discursos sobre uma suposta italianidade, deixa clara a distância entre as agendas.
“Não tenho nada em comum com Vannacci“, disse Bandecchi, ressaltando que não almejou jamais posições à direita extrema. O prefeito também comentou o que vê como um voltafaccia por parte de Vannacci: muitos, afirmou, ficaram decepcionados com a mudança súbita de alianças e posições políticas. “Se alguém, em um ano e meio, muda de ideias com tanta frequência, deixa de ser confiável”, observou.
Na avaliação de Bandecchi, boa parte dos 500 mil votos obtidos nas eleições europeias atribuídos ao fenômeno não eram exclusivamente do novo líder: “Metade ou mais desses votos são da Liga, não patrimônio pessoal dele”. Ele acrescentou que Vannacci não teria tido destaque eleitoral em regiões como a Toscana e o Abruzzo, relativizando suas forças políticas locais.
A fala do prefeito terminou com uma imagem contundente: “vi muitas pessoas se ‘suicidarem’ politicamente na minha vida; é a primeira vez que vejo alguém fazer isso dessa maneira”. É uma metáfora severa sobre o que Bandecchi entende ser um erro estratégico e de reputação, um peso da caneta que redefine trajetórias.
Como jornalista de política, atento à construção de direitos e à arquitetura das decisões que moldam a vida pública, registro que essa declaração reforça linhas divisórias claras na paisagem partidária italiana: por um lado, atores que apostam em discursos econômicos e de governança; por outro, movimentos que privilegiam identidades e valores nacionais como eixo central. Para eleitores, imigrantes e ítalo-descendentes que acompanham de perto o jogo político, essa diferenciação não é apenas retórica — ela tem impacto sobre políticas sociais, emprego e integração.
Em suma, Bandecchi tentou construir uma ponte firme entre sua trajetória e um eleitorado de centro-direita liberal, derrubando quaisquer pontes informais com o que classifica como a nova extrema-direita. Resta observar como esse posicionamento influenciará alianças locais e nacionais nos próximos meses, quando os alicerces das coalizões voltarem a ser testados.






















