Por Giuseppe Borgo — O protesto em Turim em solidariedade ao espaço Askatasuna foi definido pelo ministro do Interior, Matteo Piantedosi, como uma "resa dei conti con lo Stato" — uma espécie de acerto de contas com o Estado. A avaliação foi apresentada na informativa à Câmara sobre os confrontos do último sábado e embala hoje comunicações ao Senado, onde haverá votação sobre resoluções partidárias.
Segundo o relato do ministro, a manifestação de 31 de janeiro foi precedida por uma assembleia nacional, realizada em 17 de janeiro na Universidade de Turim, com cerca de 750 participantes. Entre eles, estavam ativistas de diferentes vertentes do antagonismo, sindicalismo de base, o movimento No Tav, grupos ambientalistas, representantes da CGIL, do partido Alleanza Verdi e Sinistra e membros da comunidade islâmica local.
Naquele encontro, informou Piantedosi, lançou-se a retomada do chamado para a ‘manifestação nacional’ e frisou-se, citando literalmente, que o cortejo representaria "una resa dei conti con lo Stato democratico", porque o despejo do Askatasuna teria "alzato l’asticella dello scontro". O dia 31 foi descrito por organizadores como um "spartiacque" — uma linha divisória — e até como uma "guerra de libertação nacional", numa perspectiva que buscava ampliar o fronte incluindo a comunidade árabe e muçulmana como "companhias de luta".
Hoje, Piantedosi comparece ao Senado para prestar as comunicações do governo: a Conferência dos líderes de grupo de Palazzo Madama decidiu por maioria que não se tratará de uma informativa como na Câmara, mas sim de um momento em que parlamentares votarão resoluções apresentadas pelas forças políticas. O ministro também abordará as Olimpíadas Milano-Cortina, em meio à polêmica sobre a presença do ICE na Itália. Na mesma sessão, está prevista a informativa do presidente da Sicília, Nello Musumeci, sobre o mau tempo que atinge o Sul.
A primeira-ministra Giorgia Meloni comentou as cenas de violência no programa Far West, na Rai3: "Não podemos recuar. Estamos trabalhando para garantir, com normas ainda mais eficazes, que essas coisas não aconteçam; mas é também um problema de húmus cultural". A chefe do governo referiu-se ainda à agressão sofrida pela repórter Bianca Leonardi durante os incidentes.
O ministério ressalta que o trabalho preventivo das forças de segurança impediu danos muito maiores, que segundo a Pasta estavam entre os objetivos de manifestantes violentos, e que as intervenções reduziram o número de atacantes agressivos durante o confronto. Para Piantedosi, os distúrbios confirmam o verdadeiro rosto dos grupos antagonistas que ocupam de forma abusiva centros sociais (centri sociali), por vezes amparados por coberturas políticas identificáveis.
O ministro advertiu que quem desfilou ao lado desses "delinquentes" acaba por oferecer uma perspectiva de impunidade, e que qualquer tentativa de legitimar tais práticas contribui para a erosão dos alicerces da lei e do contrato civil entre o Estado e os cidadãos. Em linguagem que recorre às pedras e vigas da convivência democrática, essa série de eventos evidencia a necessidade de reforçar tanto a legislação quanto o tecido cultural que sustenta a ordem pública.
Como correspondente atento à interseção entre decisões de Roma e a vida cotidiana — especialmente para imigrantes e ítalo-descendentes que dependem da previsibilidade administrativa —, observo que o episódio de Turim funciona como um teste. Testa-se a capacidade do Estado de preservar a ordem sem esticar além das estruturas da liberdade de expressão; testa-se, também, a habilidade da sociedade civil em reconstruir pontes em vez de erguer muros. A votação no Senado e as medidas que dela derivarem serão peças-chave nessa reconstrução.






















