Por Giuseppe Borgo — A primeira-ministra Giorgia Meloni afirmou, em encontro com a delegação do programa Far West de Salvo Sottile, que o Governo não pode “arrepiar caminho” na questão da segurança após os episódios de violência ligados ao cortejo do movimento Askatasuna em Turim. A chefe do Executivo manifestou solidariedade à jornalista Bianca Leonardi e à equipe da reportagem, agredidas por um grupo de antagonistas durante a manifestação.
Meloni pediu clareza e um compromisso comum entre as instituições: “Penso que não se pode retroceder, penso que nós devemos — e estamos trabalhando também sobre isso — garantir com normas ainda mais eficazes que essas coisas não aconteçam, mas penso que é também um problema do húmus cultural”. A primeira-ministra disse ter levado a proposta de esforço conjunto ao Parlamento, em diálogo com o ministro Piantedosi.
“Serve clareza por parte de todos e serve um empenho comum, que é o que eu propus, também no debate em Parlamento com o ministro Piantedosi, a todos os partidos, inclusive da oposição: ouvi a secretária do Partido Democrático dizer que as instituições devem estar unidas, speriamo”, declarou Meloni, reforçando a ideia de que a resposta às agressões deve passar por mudanças normativas e por uma reconstrução dos alicerces culturais que permitem a violência.
Do outro lado do espectro político, a secretária do PD, Elly Schlein, retomou o episódio no programa Di Martedì (La7), condenando com veemência a violência e, ao mesmo tempo, acusando a direita e o ministro Piantedosi de instrumentalizar os fatos com finalidades políticas: “Encontramos gravíssima a instrumentalização feita por parte da direita e hoje também do ministro Piantedosi contra as oposições e contra os juízes pelo que aconteceu”.
Schlein sublinhou que “a violência política nós a condenamos sempre, sem se e sem mas, venha de onde vier”, e criticou tentativas de transformar as dezenas de milhares de manifestantes pacíficos em cúmplices das frentes violentas que se destacaram do cortejo. A líder do PD também lembrou episódios recentes em que, segundo ela, a direita teria usado casos judiciais para fins políticos, e questionou a seletividade das atenções quando se trata de vítimas de diferentes cores de pele, qualificando como racismo quando esse fator aparece.
Em sua resposta, Schlein afirmou que o pedido do PD foi imediato: condenação dos atos de violência e uma chamada para que as instituições não alimentem divisões. “Nós pedimos — eu liguei para a Presidente do Conselho por isso — que não se faça instrumentalização, porque diante de fatos graves como estes, as instituições devem unir, não dividir”.
O episódio em Turim desenha uma cena que vai além do confronto físico: trata-se da disputa sobre a interpretação pública dos fatos, sobre quem detém o poder de dar sentido ao ocorrido e, em última instância, sobre a arquitetura do debate democrático. A discussão atravessa a construção de normas mais duras, a necessária investigação sobre as frações violentas que se destacaram do cortejo e a urgência de reparar e proteger os direitos dos cidadãos e dos profissionais de imprensa.
Como correspondente atento à intersecção entre decisões de Roma e o impacto na vida cotidiana, registro que o verdadeiro desafio é, além de medidas repressivas, fortalecer o tecido social — os alicerces que tornam possível a convivência civil. Derrubar barreiras burocráticas é importante, mas não basta: é preciso também trabalhar o terreno cultural que permite a violência, para que atos como os de Turim não se repitam e para que a política cumpra seu papel de ponte entre as instituições e a sociedade.
Assina, Giuseppe Borgo — Espresso Italia.






















