Por Giuseppe Borgo — Espresso Italia
A possibilidade de presença de agentes da agência americana ICE (Immigration and Customs Enforcement) durante as Olimpíadas de Inverno Milano-Cortina 2026 reacendeu um debate político e institucional em Roma. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, afirmou aos jornalistas que, por ora, “não me risulta” a participação desses agentes nos jogos, mas reconheceu que delegações estrangeiras costumam providenciar proteções dentro de seus próprios quadros.
Em resposta às perguntas da imprensa sobre a hipótese de agentes do ICE em solo italiano para apoiar a segurança dos eventos, Piantedosi declarou: “Isso não me consta. Fiz uma verificação inicial com o prefeito e os questores e não resulta”. Acrescentou, porém, que mesmo que fosse confirmada a presença, as delegações estrangeiras escolhem, de acordo com seus ordenamentos, a quem recorrer para garantir a proteção de suas representações. “O coordenamento da segurança permanece assegurado pelas autoridades nacionais”, ressaltou o ministro.
Piantedosi contextualizou ainda as relações bilaterais: os Estados Unidos são aliados e mantêm colaborações relevantes na área de segurança. “Não vejo qual problema haja: são modelos consolidados e coordenados. Não se trata de gerir imigração irregular, mas de proteger personalidades”, afirmou, tentando acalmar apreensões e sublinhando que procedimentos similares são adotados reciprocamente quando autoridades italianas viajam ao exterior.
A suspeita da presença do ICE em Roma e seu eventual emprego de apoio durante os jogos foi levantada por uma investigação do jornal Il Fatto Quotidiano. Segundo a matéria, agentes da agência americana estariam já alocados de forma estável numa sede da capital e poderiam atuar durante o período dos Jogos Olímpicos (6–22 de fevereiro) e das Paralimpíadas (6–15 de março de 2026).
A repercussão da notícia passou por agências como Dire e sites especializados, que recordaram as críticas intensas dirigidas ao ICE nos Estados Unidos — por operações consideradas agressivas, incluindo raids contra civis desarmados, detenções de menores e deportações em centros de detenção. Casos específicos citados pela imprensa, como o homicídio de uma ativista e a detenção de uma criança de cinco anos em Minnesota, alimentaram as preocupações públicas exibidas por representantes da oposição.
Parlamentares opositores exigem esclarecimentos formais do Viminale: a senadora do PD, Cristina Tajani, protocolou uma interpelação urgente ao ministro do Interior pedindo uma confirmação ou uma smentita oficial sobre o papel do ICE na segurança de Milano-Cortina 2026. A demanda reflete a tensão entre a salvaguarda da segurança internacional e o receio de delegar funções sensíveis a uma agência estrangeira com histórico controverso.
Do ponto de vista institucional, permanece a necessidade de “construir pontes” entre as obrigações de segurança e a proteção dos direitos fundamentais — um equilíbrio que exige transparência e controle. Nas próximas horas, o Viminale deve fornecer mais informações, enquanto a opinião pública e os parlamentares observam atentamente, como operários que fiscalizam os alicerces de uma obra: a arquitetura da segurança de um grande evento global.






















