A noite em Torino teve sabor de resistência cívica. Mais de 3.500 pessoas lotaram o palasport para acompanhar o diálogo entre o historiador Alessandro Barbero e o intelectual Angelo D’Orsi sobre Democracia em tempo de guerra. O que deveria ter sido um encontro em um teatro local foi, um mês antes, alvo de censura. A reação civil e a logística cidadã transformaram o obstáculo numa vitória pública: o evento saiu do palco menor e se realizou em espaço maior — graças ao apoio do circolo Arci La Poderosa, da Anpi e da revista Historia Magistra.
“O censurador é estúpido porque obtém o efeito contrário”, resumiu Angelo D’Orsi, para uma plateia que não só ouviu como aplaudiu de pé. A ocupação do palasport e as reações da sociedade civil desenham uma cena clara: quando se tenta erguer barreiras burocráticas contra o debate, cresce a demanda por informação e por espaço público. Os organizadores relatam que havia cerca de seis mil pessoas em lista de espera — sinal de que a construção de direitos e do diálogo público continua a ser uma prioridade para muitos.
O tema — democracia sob o peso da guerra — não foi tratado como abstração acadêmica. Barbero e D’Orsi conversaram sobre o impacto real das narrativas, das censuras e da instrumentalização do medo. Trata-se, nas palavras de quem acompanhou o debate, de desmontar e entender a arquitetura do discurso que pode levar sociedades a aceitar medidas de exceção.
Enquanto isso, em Roma, a cena governamental avançava com decisões que tocam diretamente a vida cotidiana dos cidadãos — um lembrete de que a democracia se manifesta tanto nas praças quanto nas assinaturas de despacho ministerial. No mesmo dia, o Consiglio dei Ministri aprovou o Piano di bacino — stralcio assetto idrogeologico do distretto idrografico dell’Appennino settentrionale (PAI dissesti), medida destinada a gerir riscos geomorfológicos. A aprovação, segundo a nota oficial, busca reduzir danos decorrentes de dissestes e proteger comunidades vulneráveis.
Também foi deliberado um aporte de €11.135.000 destinado a intervenções de emergência em Stromboli, após eventos meteorológicos extremos. Esses recursos mostram o peso da caneta e a responsabilidade do Estado em responder a catástrofes naturais — decisão que, na prática, significa reconstrução e proteção das bases materiais da vida local.
Outros atos do Governo incluem a nomeação do advogado Antonino Geronimo La Russa como presidente do Automobile Club d’Italia e informações ministradas por Roberto Calderoli sobre entendimentos preliminares com regiões (Ligúria, Lombardia, Piemonte e Veneto) sobre saúde, proteção civil e previdência complementar, no âmbito da autonomia diferenciada. Propostas que afetam serviços, acesso e a equidade territorial.
Como repórter que busca fazer a ponte entre as instituições e a sociedade, vejo no episódio de Torino e nas deliberações de Roma uma mesma lição: derrubar barreiras burocráticas e abrir canais de transparência é tão necessário quanto planejar obras e alocar recursos. A democracia é uma construção contínua — exige audiências públicas e decisões responsáveis que não deixem nenhum território, cidade ou cidadão ao relento.
O encontro em Torino é mais do que uma vitória cultural contra a censura: é um lembrete de que o debate público funciona como alicerce para políticas melhores. E que, quando a sociedade se mobiliza, amplia a discussão e força as instituições a responderem. Em tempos de tensões internacionais e internas, manter o diálogo aberto é preservar os fundamentos da convivência democrática.






















