Por Giulliano Martini — A audiência sobre o homicídio de Sharon Verzeni, morta a facadas na madrugada entre 29 e 30 de julho de 2024 em Terno d’Isola, teve a sentença adiada para 25 de fevereiro de 2026 após a nomeação do novo advogado de defesa de Moussa Sangaré. A Corte d’Assise de Bérgamo, presidida pela juíza Patrizia Ingrascì, acolheu o pedido de adiamento apresentado pela defesa.
O réu, de 31 anos, enfrenta pedido de pena de ergastolo formulado pelo Ministério Público, que sustenta ter se tratado de um homicídio motivado, segundo a acusação, por “noia” (tédio). Sangaré havia confessado o crime no momento da prisão e novamente durante a audiência de convalidação, mas posteriormente retratou a confissão, afirmando sua inocência e alegando equívocos.
Durante a sessão de 12 de janeiro, apesar da confissão anterior, o acusado declarou em juízo: “Io mi sono giudicato innocente” — pedido que, segundo relatos, incluiu a solicitação de retorno ao cárcere para não assistir às acusações em sua contra. Pesam, contudo, provas técnicas: o DNA de Verzeni foi encontrado na bicicleta atribuída ao réu, elemento que integrou a investigação dos carabineiros iniciada a partir de um fotograma que mostrava um homem em bicicleta na cena.
A defesa foi assumida, há menos de uma semana, pela advogada Tiziana Bacicca, após a revogação do mandato do anterior defensor, Giacomo Maj. A nova patrona de defesa solicitou mais tempo para analisar toda a documentação e preparar uma estratégia adequada. Em juízo, Bacicca descreveu o cliente como “molto dimesso, molto giù di morale”, atribuindo a condição, em parte, à tomada de consciência da gravidade da acusação e à imputação de pena máxima pelo MP.
Segundo Bacicca, durante os encontros preliminares com o assistido, emergiram “punti che non tornano, e sono a suo favore” — pontos que, na avaliação da defesa, merecem exame aprofundado. A advogada informou também que, caso o Ministério Público, representado pelo procurador Emanuele Marchisio, apresente réplicas, apresentará contraréplica e não exclui o depósito de memoriais defensivos antes da decisão final.
O advogado Luigi Scudieri, representante da família e do companheiro de Sharon Verzeni, reagiu à mudança de defesa afirmando que a nomeação de novo advogado “não muda a substância dos fatos”. Scudieri manteve a versão da acusação sobre premeditação e motivo fútil, reiterando que, na sua avaliação e na da família, “Moussa Sangaré é e resta l’assassino di Sharon Verzeni”. O advogado salientou ainda que o adiamento para 25 de fevereiro não altera a dor e a espera da família por justiça.
O caso, acompanhado de perto pelas autoridades e pela opinião pública local desde o verão de 2024, segue com investigação de perícias e análise de provas materiais. A audiência final terá caráter decisivo: caberá à Corte avaliar, à luz da prova técnica e das argumentações das partes, se permanece válida a linha acusatória que pede a pena máxima.
Dados do processo indicam que o indiciamento ocorreu após diligências dos carabineiros baseadas num quadro probatório que incluía imagens e vestígios biológicos. A defesa de Bacicca anuncia foco em incoerências e em elementos que, segundo ela, podem reverter ou mitigar a narrativa construída pela acusação.
Relato objetivo, cruzamento de fontes e acompanhamento processual contínuo permanecem essenciais para mapear os próximos passos do caso. A próxima sessão na Corte d’Assise de Bérgamo está marcada para 25 de fevereiro de 2026.




















