Em meio à fase final de uma nova e controversa investigação sobre o caso de Garlasco — que trouxe à cena o indiciamento de Andrea Sempio — a defesa de Alberto Stasi, condenado em via definitiva a 16 anos pelo homicídio de Chiara Poggi, emitiu nota em resposta às alegações da parte civil sobre a suposta existência de uma pasta com arquivos pornográficos no computador do condenado.
Os advogados da família Poggi solicitaram nova perícia digital ao computador de Stasi, sustentando, com base em laudos encomendados por eles, que na noite anterior ao crime Chiara teria acessado uma pasta rotulada “Militare” contendo material pornográfico. A hipótese foi divulgada publicamente pelos representantes da parte civil, que pediram aprofundamento técnico sobre esses arquivos.
Em reação, a defesa de Stasi, representada pela advogada Giada Bocellari, classificou as divulgações como precipitadas e juridicamente inócuas contra seu assistido. Na nota oficial, a defesa afirma que, “sem sequer aguardar o exame das investigações realizadas neste último ano, são ventilados nos meios de comunicação novos elementos supostamente determinantes contra o condenado‑eterno processado”, elementos que, segundo a defesa, “em nenhum caso poderiam ser utilizados processualmente” contra Stasi.
Bocellari ressalta ainda que, caso esses indícios sejam realmente relevantes “aos fins da verdade”, devem ser imediatamente oferecidos à promotoria de Pavia, para avaliação no âmbito da investigação em curso contra Andrea Sempio. A defesa sustenta que tem adotado, silenciosamente, todas as medidas judiciais cabíveis e que continuará a depositar documentos e elementos nas instâncias competentes quando for o caso.
“Assiste‑se a um persistente esforço, por meio de anúncios públicos, de busca de supostas novas provas contra um condenado que, em qualquer hipótese, não poderá ser novamente processado”, afirma o texto assinado pela defesa. A nota reafirma confiança nas apurações em andamento e “na seriedade com que têm sido conduzidas até o momento”, sublinhando que o objetivo deve ser sempre “a busca de uma verdade efetiva e objetiva, no interesse da justiça e de Chiara”.
O pedido de reavaliação forense partiu oficialmente em 16 de janeiro de 2026, quando os advogados da parte civil, Gian Luigi Tizzoni e Francesco Compagna, tornaram pública a necessidade de um aprofundamento técnico. Segundo os peritos contratados pela família Poggi, a abertura da pasta “Militare” na noite anterior ao crime seria um detalhe ainda não esclarecido integralmente.
Do ponto de vista processual, a defesa aponta para duas implicações pragmáticas: primeiro, que eventuais novos elementos devem seguir o trâmite investigativo adequado e ser apresentados às autoridades competentes; segundo, que a exposição midiática de achados preliminares pode interferir na correta avaliação probatória e na serenidade das investigações em curso.
Nesta fase, as partes aguardam o posicionamento do Ministério Público de Pavia sobre a necessidade e o alcance de uma nova perícia informática. Entre os pontos a serem confirmados estão: cadeia de custódia dos arquivos, data/hora de criação e abertura dos itens apontados, e possibilidade de manipulação remota ou acesso por terceiros.
O episódio reabre o debate sobre o limite entre investigação técnica e exposição pública de provas sensíveis, e sobre o modo como novos elementos — quando ventilados antes da sua completa verificação — podem impactar a percepção pública e o percurso das investigações. A defesa de Alberto Stasi reforça que continuará a colaborar com as instâncias competentes e que confia na busca imparcial por fatos que esclareçam, de forma objetiva, as circunstâncias da tragédia.






















