Por Giulliano Martini — A audiência de convalidação do ato de detenção de Giuseppe Musella, o jovem acusado de matar a irmã, Ylenia, no bairro Conocal de Ponticelli (Nápoles), estendeu-se por mais de três horas nesta fase inicial do processo. O GIP decidiu reservar a decisão sobre a manutenção da medida cautelar após ouvir o depoimento do investigado e das defesas.
O réu confessou o episódio, apresentando ao magistrado uma versão detalhada já antecipada às autoridades quando se entregou. Segundo o relato prestado em juízo, Giuseppe Musella confirmou ter arremessado a faca a alguns metros de distância de Ylenia. Reiterou, contudo, que não teve intenção de matá-la. Na mesma audiência assegurou não tê-la abandonado: afirmou que, após o ferimento, ela foi levada ao pronto-socorro por outras pessoas e que, naquele local, chegou a conversar com uma enfermeira antes de ser afastado.
Em depoimento, o acusado descreveu uma sequência de atritos domésticos que culminaram no episódio letal. Relatou uma discussão com a irmã motivada, segundo ele, pela urina do cão que teria sido recolhida por Ylenia com um pano e depois espalhada sobre a cama do irmão, que no dia 3 de fevereiro estava em casa doente. A situação teria se agravado quando, já fora do imóvel, a jovem teria agredido o animal. Ao ouvir o cão chorando enquanto se encontrava no banheiro, Giuseppe saiu à rua, encontrou o animal e uma mancha de sangue e, em estado de raiva, lançou a faca na direção da irmã.
“Estavo inc… nero, stava lontano che non pensavo che l’avrei mai presa”, teria dito o acusado ao juiz — frase em italiano citada em audiência e traduzida por testemunhas como expressão de surpresa e choque ao perceber que o golpe atingira Ylenia. Ao constatar a gravidade do ferimento, segundo seu relato, dirigiu-se à mãe dizendo em dialeto: “Uh Marò, l’agg cogliuta” (“Oh, madonna, eu a acertei”).
O interrogatório teve momentos de emoção: o investigado apresentou crises de choro em diferentes fases e negou, com insistência, a intenção homicida. A defesa, representada pelos advogados Leopoldo Perone e Andrea Fabbozzo, informou ao GIP a presença, no imóvel, de uma terceira pessoa que presta serviços domésticos e que teria presenciado parte do episódio — informação que o réu confirmou ao descrever a dinâmica dos fatos.
A jovem foi socorrida e, conforme o relato das partes, encaminhada por seis pessoas em duas viaturas ao Hospital Villa Betania. As circunstâncias precisas da condução ao pronto-socorro e as ações dos presentes serão objeto de verificação processual. A autoridade judiciária aguarda o resultado da autópsia, que pode fornecer elementos decisivos sobre a mecânica do ferimento e a sequência temporal dos eventos.
Ao término da audiência, a juíza Maria Rosaria Aufieri se reservou quanto ao acolhimento do pedido de manutenção da medida de prisão preventiva ou outra cautelar a ser aplicada. A decisão será proferida em momento posterior.
Este relato baseia-se no depoimento prestado ao GIP, nas declarações das defesas e na narrativa já registrada pelos investigadores. Permanecemos atentos ao desfecho da decisão judicial e aos resultados periciais que poderão esclarecer pontos centrais sobre a dinâmica do crime.






















