Por Giulliano Martini, correspondente — Espresso Italia. Apuração in loco e cruzamento de fontes revelam um sistema financeiro paralelo, totalmente sem autorização, que movimentou mais de 4 milhões de euros e enganou mais de 500 vítimas em várias províncias da Itália. A descoberta é resultado da ação coordenada da Guardia di Finanza do Comando provinciale de Ancona na denominada Operação Golden Tree.
Na fase mais recente da investigação foram executadas medidas cautelares contra duas pessoas, realizados 15 bloqueios de contas correntes na Itália e na Polônia e a plataforma online usada para as operações ilícitas foi oscurada. Conforme o relatório das autoridades, o grupo criminoso criou uma verdadeira banca abusiva, sem licenças, com ramificações também na Polônia e na Bulgária, oferecendo serviços típicos do setor financeiro: abertura de contas no exterior, concessão de empréstimos e propostas de investimento.
O aparato se apresentava como uma suposta “community” voltada ao bem-estar dos associados. Na prática, tratava-se de um mecanismo fraudulento que oferecia investimentos com promessa de alto rendimento, pagos sob a causale classificada como “cashback” — uma tentativa deliberada de burlar os controles das autoridades fiscais.
O sucesso do esquema apoiou-se no vínculo de confiança construído pelos falsos consultores com os clientes. Entre as 500 vítimas identificadas estão pessoas entre 20 e 85 anos que aplicaram desde poupanças pessoais e pensões até valores obtidos mediante empréstimos. A investigação identificou um padrão consolidado de tipo esquema Ponzi, espalhado por Ancona, Roma, Milão, Palermo, Nápoles, Turim e Bari.
O sistema autoalimentava-se via boca a boca e redes sociais: investidores transformavam-se em recrutadores, remunerados de forma proporcional ao número de novos aderentes e aos montantes aportados. Para conferir aparente legitimidade ao negócio, os promotores disponibilizavam uma carta de débito física personalizada e uma aplicação digital que simulava um serviço de home banking, ferramentas que induziam segurança nos clientes.
O colapso ocorreu quando os pedidos de reembolso superaram os novos depósitos. Nessa fase, os promotores deixaram de pagar juros e capital. Os recursos captados foram utilizados para despesas pessoais do suposto líder, organização de eventos destinados a angariar novos investidores e aplicações especulativas, incluindo compra de ouro e criptomoedas.
Ao término da operação, quatro pessoas foram denunciadas ao Ministério Público por crimes que incluem abusivismo financeiro, atividade bancária abusiva, fraude e autoriciclaggio. Foram cumpridas diversas perícias e buscas entre as regiões Marche, Abruzzo e Lombardia.
O caso ilustra, em termos práticos, a necessidade de rigor no controle de plataformas financeiras e a importância do trabalho de inteligência da Guardia di Finanza no combate a estruturas que se apresentam como serviços legítimos, mas ocultam fraudes complexas. Fatos brutos verificados e cruzamento de dados confirmam a dimensão nacional do golpe e a urgência de medidas protetivas para vítimas.






















