Por Chiara Lombardi — Em uma conversa franca no programa La volta buona com Caterina Balivo, exibido na terça-feira, 10 de fevereiro, o cantor Valerio Scanu revelou planos para um novo procedimento estético: uma intervenção para reduzir a lassidão cutânea — o excesso de pele que ficou após seu processo de emagrecimento.
Scanu contou que, no passado, já havia se submetido a uma lipoaspiração para diminuir os chamados “fianchetti” — as regiões laterais da cintura —, mas que, apesar do treinamento físico intenso e de competir em nível atlético, o acúmulo de pele excedente persistiu. “Mesmo indo à academia isso não se resolve. O único jeito é fazer uma cirurgia”, afirmou o artista, ponderando que não se trata de uma emergência médica, mas de uma escolha pessoal e estética: “Não é questão de vida ou morte, mas me incomoda, mesmo quando eu mesmo não a vejo”.
A declaração de Scanu abre uma janela sobre o roteiro contemporâneo da transformação corporal, onde a trajetória entre perda de peso e reconstrução estética é frequente. Em termos culturais, sua decisão reverbera como um exemplo do espelho do nosso tempo: a maneira como o corpo se torna palco de memórias, escolhas e narrativas sociais. A cirurgia para corrigir excesso de pele interrompe o ciclo biográfico do emagrecimento, propondo um novo desfecho físico que dialoga com identidade e autopercepção.
Nos últimos três anos, o cantor — conhecido por sua voz e presença no cenário musical italiano — passou por uma mudança física visível. A transformação, acompanhada por treinamento competitivo, colocou em evidência não apenas a conquista da perda de peso, mas também a consequência menos celebrada: a excesso de pele que não cede mesmo com a musculação. Para Scanu, retirar essa pele é antes uma resposta pessoal ao desconforto estético do que uma necessidade clínica.
Do ponto de vista simbólico, sua fala também suscita um debate sobre os limites entre cuidado do corpo e autocuidado como performance social. A opção pelo bisturi — claramente exposta como escolha deliberada e não compulsiva — aponta para um reframe da realidade corporal: ao invés de aceitar a marca física da jornada, há quem prefira delinear um novo contorno, uma nova encenação do eu.
Valerio Scanu não detalhou a data ou a técnica exata do procedimento, mas sua franqueza no programa televisivo devolve ao público uma narrativa honesta sobre as implicações da perda de peso drástica. A sua experiência ecoa entre tantos que passam pelo mesmo percurso: a celebração do emagrecimento e, logo depois, o encontro com a lassidão cutânea que exige decisões cirúrgicas e éticas.
Enquanto a imprensa debate o tema, fica a observação cultural: o corpo, como obra, muitas vezes assume o papel de tela e memória — e a cirurgia, quando escolhida, é a intervenção que reconstrói tanto a forma quanto o significado dessa narrativa.






















