Por Alessandro Vittorio Romano — Em Bengasi foi oficialmente celebrado o encerramento do projeto italiano de formação dedicado ao combate da dermatite nodular contagiosa, uma enfermidade viral que afeta rebanhos bovinos. Financiado pela Cooperazione italiana na Líbia e coordenado pelo CIHEAM Bari, o programa teve como objetivo fortalecer a capacidade das equipas sanitárias locais para intervenção emergencial, diagnóstico e gestão da doença.
Ao longo das ações, profissionais líbios — veterinários, técnicos de laboratório e gestores de saúde animal — participaram de módulos práticos e teóricos que combinaram vigilância epidemiológica, técnicas laboratoriais modernas e protocolos de biossegurança. Os esforços incluíram a instalação e atualização de equipamentos em laboratórios locais, bem como a introdução de rotinas que reduzem riscos de contaminação, permitindo uma resposta mais rápida e segura diante de surtos.
A dermatite nodular contagiosa é transmitida principalmente por vetores como moscas e mosquitos, e pode também se disseminar por carrapatos. A doença provoca lesões na pele, debilidade e, em muitos casos, pode levar à morte dos animais, acarretando perdas econômicas significativas para criadores e comunidades rurais. A enfermidade está presente em diversos países africanos, tornando a cooperação regional e a capacitação técnica fundamentais para conter sua expansão.
Do meu ponto de vista — que observa o ritmo das estações e a respiração das cidades — projetos desse tipo são como podas cuidadosas numa árvore: retiram o velho excesso de vulnerabilidade para permitir que o sistema produtivo cresça mais saudável. A introdução de laboratórios de ponta e normas de biossegurança não é apenas um ganho técnico; é a semeadura de práticas que preservam a saúde coletiva e a subsistência de comunidades ligadas ao campo.
Além da formação técnica, o projeto reforça a importância de uma abordagem One Health, que conecta saúde animal, saúde humana e meio ambiente. Mudanças climáticas e mobilidade de animais e pessoas alteram os padrões dos vetores; por isso, vigilância contínua, troca de informação entre países e manutenção dos instrumentos laboratoriais são essenciais para manter a doença sob controle.
Os resultados obtidos em Bengasi mostram que o investimento em capital humano e em infraestrutura produz retorno imediato: diagnósticos mais rápidos, intervenções mais seguras e maior confiança por parte dos produtores. A continuidade das ações — treinamento periódico, apoio técnico e redes de cooperação — será determinante para transformar este projeto em uma prática sustentável.
Enquanto a paisagem política e climática muda, a colheita de hábitos que promovem a saúde animal e humana garante que o campo continue a alimentar vidas. A conclusão desta iniciativa italiana na Líbia é um passo na direção de territórios rurais mais resilientes, onde a ciência e o cuidado caminham juntos como raízes profundas que sustentam o bem-estar coletivo.






















