Por Marco Severini — A atual campanha militar contra o Irã revela um alicerce estratégico em que Tel Aviv e Washington desenham movimentos complementares no tabuleiro de poder do Oriente Médio. Segundo levantamento do Times of Israel, a Força Aérea israelense está responsabilizada por ataques a alvos nas regiões ocidental e central do Irã, locais apontados como pontos de lançamento dos mísseis contra o Estado judeu. Paralelamente, atribui-se às forças norte-americanas a missão de neutralizar lançadores no sul da República Islâmica, usados para visar bases americanas no Golfo.
Na prática, IDF e Pentágono dividiram o teatro de operações: o foco de Israel recai sobre os sítios do regime iraniano próximos aos corredores de disparo contra o território israelense; aos Estados Unidos cabem os meios navais e a pressão sobre ativos que ameaçam as posições americanas na região. É essa partilha, nas palavras de oficiais israelenses, que configura “a primeira guerra conjunta em larga escala” entre Israel e os Estados Unidos, fruto de meses de planejamento e coordenação.
Fontes militares revelam a existência de “células de coordenação conjunta” que sincronizam inteligência, definição de objetivos e medidas de defesa. Mais de mil militares americanos estão destacados em solo israelense, assim como dezenas de aeronaves-tanque dos Estados Unidos, recursos imprescindíveis para a sustentação dos caças israelenses em missões de longo alcance. O chefe do Estado-Maior israelense, Eyal Zamir, mantém contato diário com o comandante do Centcom, Brad Cooper, como parte desse mecanismo operacional contínuo.
No Pentágono, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, discursou com tonalidade enfática, qualificando a ação americana como “vitoriosa, decisiva e devastadora” sob o comando do presidente Trump. Hegseth sublinhou que a operação teve início há apenas dias e que os parâmetros do conflito estão em evolução: “estamos apenas no quarto dia”, disse, lembrando que ainda há fases a cumprir e forças a recompor.
O secretário acrescentou que, para concluir a operação em menos de uma semana, as duas forças aéreas mais poderosas do mundo terão o “controle completo” do espaço aéreo iraniano — um objetivo que, segundo ele, permitirá operações contínuas de detecção e desmantelamento da arquitetura de mísseis e da indústria de defesa do Irã, inclusive com sobrevoos sobre Teerã e instâncias do IRGC.
Como analista, vejo neste conjunto de ações uma tectônica de poder em tempo real: a combinação de alcance israelense e sustentação logística americana corresponde a um movimento decisivo no tabuleiro, cujo objetivo é degradar capacidades ofensivas iranianas sem, por enquanto, transformar-se em conflito aberto de larga escala entre potências. Ainda assim, os alicerces da diplomacia regional ficam estremecidos — e o cenário permanece volátil enquanto as peças continuam a se mover.






















