Por Giulliano Martini — Em apuração direta: aguarda-se na manhã desta segunda-feira a deliberação do Heart team sobre os exames instrumentais realizados ontem no menino de dois anos que recebeu um transplante de órgão danificado no Monaldi, em Nápoles. A confirmação será determinante para manter ou retirar a criança da lista de espera para um novo transplante.
O advogado da família, Francesco Petruzzi, informou à AGI que vai protocolar na procuradoria a consultoria do Bambino Gesù de Roma relativa ao caso. “Hoje irei à procuradoria para falar com o público ministero e verificar se houve evoluções nas investigações e se há a intenção de nomear um colegiado, como solicitei para o incidente probatório”, declarou Petruzzi.
Enquanto as apurações prosseguem, a família requisitou uma terceira opinião — desta vez junto a centros europeus especializados em retransplantes e em ECMO de longa duração. “Solicitamos um third opinion aos principais centros de Londres, Paris, Berlim e Utrecht, na Holanda, precisamente para esclarecer as posições contraditórias entre o Bambino Gesù e o Monaldi, e entender se existem outras possibilidades terapêuticas”, explicou o advogado.
Segundo a versão repassada pelo Bambino Gesù, a criança transplantada com um coração descrito como “queimado” “não é mais transplantável”. A informação foi trazida por Petruzzi, que, contudo, ressaltou divergência clínica: para a equipe médica que operou o menino no Monaldi, o paciente ainda seria passível de transplante. “Até segunda-feira, ao menos, a criança permanecerá na lista de transplantes. Depois disso, haverá nova atualização sobre a questão”, acrescentou o advogado.
A mãe do menino havia solicitado anteriormente o segundo parecer do hospital pediátrico romano, enquanto o Ministério indicou que o filho foi colocado em primeiro lugar na lista de transplantes italianos, na expectativa de um órgão compatível. O parecer técnico do Bambino Gesù, porém, alterou o quadro clínico de urgência e reabriu o debate sobre viabilidade do procedimento.
O ministro da Saúde, Orazio Schillaci, afirmou em entrevista à RaiNews24 que é necessário “fazer clareza e afastar dúvidas”. Schillaci enfatizou confiança nos órgãos de investigação e controle: os Carabinieri dei NAS e os inspetores do ministério estão incumbidos de apurar os fatos relacionados ao transplante. “Eles farão seu dever e, em seguida, teremos as conclusões oficiais”, disse o ministro, acrescentando solidariedade à família.
O quadro processual e clínico segue em evolução com dois vetores principais: a confirmação técnica sobre a possibilidade de um novo transplante e o desenvolvimento das investigações administrativas e criminais. A família busca ainda a validação externa de centros europeus para dirimir o conflito técnico entre as equipes médicas. Do ponto de vista jurídico, a eventual nomeação de um colegiado para o incidente probatório indicará o aprofundamento das medidas judiciais.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e análise dos laudos serão determinantes nos próximos passos. A realidade traduzida até aqui é de incerteza clínica alinada a rigor investigativo: a verdade final dependerá dos exames que serão apreciados pelo Heart team e do resultado das diligências do Ministério e das forças policiais.






















