Ciao, viajante dos sentidos — sou Erica Santini, e convido você a saborear a história de Roma de uma forma inesperada. Pela primeira vez, uma das domus mais bem preservadas do Monte Palatino abre suas portas — ainda que virtualmente — para revelar os seus tesouros subterrâneos: mosaicos e frescos que resistiram ao tempo.
Descoberta no início do século XX, a Casa dos Grifos repousou oculta após o imperador Domiciano erguer, no século I d.C., o seu palácio sobre as antigas moradas. Situada no monte que domina o Fórum Romano e se ergue próxima ao Coliseu, esta residência republicana (período tradicionalmente situado entre 509 a.C. e 27 a.C.) revela um nível decorativo digno das casas refinadas de Pompeia.
O detalhe que empresta o nome ao local é um fresco em forma de luneta com dois grifos — criaturas mitológicas metade águia, metade leão — que agora reaparecem em cores vibrantes após um rigoroso trabalho de restauração. Nos ambientes, apreciamos ainda falsos mármores pintados com ricas paletas e um mosaico de piso com cubos tridimensionais que brincam com a luz da escavação.
Mas há um segredo de preservação: os aposentos íntimos da Casa dos Grifos são acessíveis apenas por uma escadaria subterrânea íngreme, perigosa ao tráfego de turistas. Para contornar esse desafio — e proteger os frágeis frescos do excesso de humidade e dióxido de carbono — foi criada uma solução elegante e moderna: uma visita em direto. Uma guia, com um telemóvel preso à cabeça, desce à domus e transmite ao vivo, comentando cada sala, cada afresco, como se você estivesse ao lado dela, respirando as mesmas pedras antigas.
Federica Rinaldi, responsável pelo projeto, conta que pouco se sabe sobre a família que ali viveu, mas os indícios decorativos apontam para um nível social elevado. “A sua localização no ponto mais alto do monte, a distribuição em vários níveis que aproveitam as encostas do próprio Monte Palatino e a sua preservação fazem dela hoje uma referência quase de manual”, observa Federica. “Era certamente uma domus de padrão muito elevado.”
As transmissões ao vivo começam em 3 de março, com sessões semanais às terças-feiras — uma em italiano e outra em inglês — e possibilidade de ampliação do calendário. Os grupos são restritos a uma dúzia de pessoas, exigem reserva e um bilhete extra além da entrada habitual para o Coliseu e o Monte Palatino.
Este restauro da Casa dos Grifos integra um pacote de 10 projetos no parque arqueológico financiados pela União Europeia, parte de uma estratégia para redistribuir o fluxo turístico para além do Coliseu e do Fórum, em prol da preservação e da valorização de todo o território. “É uma ótima ocasião para valorizar todo o parque”, ressalta o diretor do sítio arqueológico, Simone.
Andiamo: se você sonha em navegar pelas tradições e sentir o perfume dos vinhedos imaginários que cercavam estas casas, reserve sua vaga. A tecnologia tornou-se um passe para o passado — e, ao mesmo tempo, um abraço cuidadoso para proteger o patrimônio.






















