Can Yaman finalmente pôde encerrar um dos capítulos mais desconfortáveis de sua presença mediática recente. Quase três semanas após a ação policial ocorrida na noite de 10 de janeiro em um nightclub de Istambul — onde o ator protagoniza um episódio que rapidamente virou manchete — os exames toxicológicos realizados naquela ocasião apontaram resultado negativo.
O ator, hoje com 36 anos e conhecido por seu papel como o novo Sandokan televisivo, fez questão de diferenciar o que chamou de uma «recorrente revista de rotina» de uma detenção. Em entrevista ao web magazine americano “No Intervals”, Yaman narrou que, quando a força policial chegou ao local — cerca de 75 agentes envolvidos — foram feitas buscas gerais: «Eles revistaram todo mundo, sem encontrar nada, mas me reconheceram e me pararam, porque sou famoso. Eles fazem aquilo, é procedimento deles», declarou.
Segundo o relato do ator, ele cooperou plenamente com os agentes, entregando telefone, códigos e senhas, submetendo-se à coleta de amostra de cabelo e ao exame de sangue exigido no local. Ele disse ter sido liberado em seguida e retornado à Itália no dia seguinte. Agora, poucos dias após esses procedimentos, os laudos confirmam o que Can Yaman mantinha desde o início: não houve consumo de entorpecentes por parte do ator.
O contexto ampliou-se nas últimas semanas: desde dois meses antes, as autoridades turcas investigavam festas e encontros nos círculos vip de Istambul, numa operação mais ampla contra o uso e a circulação de substâncias em ambientes noturnos frequentados por celebridades. A notícia do suposto “arresto” do ator circulou com rapidez e levou Yaman a se manifestar nas redes sociais, dirigindo-se especialmente à imprensa italiana. Em 11 de janeiro, em postagem com fotos no Coliseu, ele escreveu: «Back to Rome. Da sempre la stampa turca è cattiva con me, ma non è una novità! Però voi no!». Em tradução livre, ressaltou que, dada a intensidade das investigações policiais, não faria sentido permanecer preso e ainda assim poder voltar à Itália no dia seguinte.
Como analista cultural, não posso deixar de apontar que este episódio funciona como um pequeno espelho do nosso tempo: um cenário em que a celebridade é simultaneamente capital simbólico e alvo de vigilância. A imagem pública de um ator pode ser examinada como se fosse um roteiro aberto ao escrutínio, e as rotinas institucionais — como a revista policial — tornam-se cenas filmadas que se propagam em circuito viral. Aqui, o teste antidroga funciona como um veredito técnico que tenta reescrever a narrativa pública, mas a sensação de espetáculo permanece.
Mais do que um desfecho pessoal para Can Yaman, o episódio devolve ao debate questões mais amplas: como a fama transforma pequenas ocorrências em dramas midiáticos, até que ponto procedimentos legais se confundem com performances públicas, e que tipo de memória coletiva criamos ao transformar investigações em manchetes. O caso também lembra que, por trás da celebridade, há procedimentos formais de investigação que devem ser respeitados e divulgados com cuidado.
Em última instância, o resultado negativo dos exames fecha temporariamente este capítulo, mas o roteiro oculto dessa história — entre imprensa, polícia e palco noturno — continua a oferecer pistas sobre o modo como consumimos escândalos e validamos verdades. Como em um bom filme, resta-nos observar as cenas seguintes e perguntar: qual será o próximo take dessa narrativa pública?
Publicado em 29 de janeiro de 2026.






















