Ao celebrar seis décadas de atuação na Itália, o WWF Itália revela um legado de presença nas salas de aula que vai muito além de palestras: é uma aposta em viver a natureza para protegê‑la. Desde 1966, a associação investe em ações educativas que traduzem ciência e conservação em experiências cotidianas, semeando mudanças de comportamento e cultura cívica em gerações inteiras.
Na aurora desse percurso surgiu o Servizio Giovanile per la Natura, um conceito simples e revolucionário: “Para proteger a natureza não basta explicá‑la, é preciso vivê‑la”. Dela nasceram, em 1971, os icônicos Panda Club, grupos escolares que não se limitavam a um adesivo; tornavam estudantes protagonistas com atividades práticas, materiais pedagógicos e a vivência direta em ambientes naturais. Entre 1971 e 2019, os Panda Club envolveram mais de 72 mil turmas, cerca de 69 mil professores e aproximadamente um milhão e meio de alunos, graças a kits pedagógicos com cadernos operativos, revistas e posters.
Ao longo das décadas, os programas evoluíram: surgiram os manuais práticos, como Salvanatura — preparado por Fulco Pratesi, fundador que, segundo registros da associação, faleceu em 1 de março de 2025 aos 90 anos — e nasceu a figura dos «delegados escolares», professores que funcionam como pontes entre a escola e o território. Essa teia educativa ampliou horizontes, integrando a sala de aula com o entorno urbano e rural, e levando o debate ambiental para supermercados e percursos do bairro, para que consumo e escolhas cotidianas fossem discutidos com olhos críticos.
Os anos 1980 trouxeram a urgência das grandes crises ambientais mundiais — de Chernobyl ao buraco na camada de ozônio — e, com isso, a ecologia entrou mais fortemente no debate público. O WWF Itália respondeu com materiais didáticos segmentados por faixa etária e com atividades que combinavam teoria e práticas ao ar livre. Em 1987, foi inaugurado o primeiro Centro de Educação Ambiental na Oasi di Orbetello, um espaço que se tornou referência para experiências imersivas e laboratórios em natureza.
Nas últimas décadas, a organização ampliou formatos e plataformas, integrando iniciativas como a One Planet School e as Aule Natura, que criam pontes entre conhecimento formal e vivência em campo. Hoje, o acervo dedicado à educação do WWF Itália reúne mais de 860 volumes (1966–2023), digitalizados e catalogados, servindo como repositório de práticas, pesquisas e experiências pedagógicas.
Os números contam apenas uma parte da história. O verdadeiro impacto aflora na transformação de hábitos, na formação de professores que se tornam multiplicadores e no nascimento de uma consciência coletiva capaz de influenciar escolhas públicas e privadas. A educação ambiental, para o WWF Itália, é uma alavanca estratégica para a mudança: ela ilumina caminhos e constrói pontes entre o saber e o fazer, entre o cuidado individual e as decisões comunitárias.
Enquanto o país e o planeta enfrentam novos desafios — das mudanças climáticas à perda de biodiversidade —, a lição do movimento escolar do WWF Itália permanece eloquente: políticas de conservação são mais duradouras quando germinam dentro das escolas e florescem na vida cotidiana. Em tempos de renovação, é nessa interseção entre educação e natureza que se revela o futuro que vale cultivar.
Texto assinado por Aurora Bellini, curadora de sociedade, sustentabilidade e inovação da Espresso Italia — tecendo luz sobre iniciativas que transformam conhecimento em legado.






















