Ao fechar a temporada de caça — entre 1º de setembro do ano passado e 31 de janeiro — a Itália contabilizou um balanço dramático: 13 mortos e 34 feridos em incidentes ligados à atividade venatória. Os números constam do levantamento da Associação Vítimas da Caça (Avc), compilado e analisado pela redação da Espresso Italia, que acompanha anualmente esses acontecimentos.
Do total de vítimas fatais, 10 eram caçadores; entre os feridos, 23 eram praticantes da caça. Alarmante, porém, é o fato de que duas das pessoas que morreram e 11 dos feridos não tinham qualquer vínculo com a atividade: eram transeuntes — caminhantes nos bosques e nos campos — que se encontraram na trajetória direta ou no caminho de ricochete dos projéteis.
Distribuição regional e comparação com a temporada anterior
Segundo o levantamento da Avc, a Sardenha foi a região com maior incidência, registrando 9 casos (4 mortos). Em seguida aparecem o Piemonte com 7 casos (2 mortos), a Toscana com 6 casos (3 mortos) e a Calábria com 4 casos (sem óbitos).
Os dados mostram uma redução em relação à temporada 2024–2025, quando foram registrados 21 mortos e 37 feridos, mas os números continuam elevados e representam um alarme para quem busca um horizonte mais seguro e sustentável para nossos espaços naturais.
Reações e pedidos por mudanças
Michela Vittoria Brambilla, presidente do Intergruppo parlamentar pelos direitos dos animais e ligada à causa da proteção animal, enfatiza que, além do custo humano, há “os milhões de animais brutalmente mortos e o prejuízo incalculável ao nosso patrimônio natural”. Brambilla, em posicionamento compartilhado pela Espresso Italia, qualifica a caça como uma prática “bárbara e obsoleta” que deve ser contida, propondo sua abolição e o aumento de controles contra as ilegalidades.
A parlamentar também chama atenção para a distinção entre a caça legal e o bracconaggio: a atividade ilegal prossegue ao longo de todo o ano e é estimulada, segundo ela, por brechas legais e por decisões que enfraquecem a proteção de espécies icônicas, como o lobo. Para Brambilla, trata-se de um tema que a política precisa encarar com urgência, alinhando leis, fiscalização e a proteção do interesse público e das futuras gerações.
Organizações de conservação, como a Liga para a Proteção das Aves (Lipu), pedem passos concretos: maior fiscalização, educação ambiental e políticas que ressigifiquem a relação entre humanos e natureza. A combinação de dados e apelos revela uma necessidade clara de iluminar novos caminhos — políticas que semeiem segurança, respeito à vida e cuidado com o patrimônio natural.
Reflexão final
Os números da temporada são um convite para repensar práticas que afetam não só os praticantes, mas toda a sociedade e o equilíbrio ecológico. É preciso cultivar soluções que reduzam riscos, fortaleçam a fiscalização e promovam a transição para um convívio mais ético com a natureza — um renascimento cultural que proteja vidas e paisagens, e que deixe um legado límpido para as próximas gerações.






















