Por Aurora Bellini, Espresso Italia — Em um episódio que revela tanto a fragilidade quanto a capacidade de cuidado da nossa comunidade, Reginaldo, a famosa oca do laghetto da Villa Reale de Monza, foi encontrada trancada dentro de um saco de lixo e depositada num contêiner urbano. A descoberta, feita pelos vigilantes conhecidos como “park angels” que zelam pelos jardins históricos, transformou alarme em alívio quando ficou claro que o animal havia resistido à provação.
O nome Reginaldo remete ao jogador brasileiro que ajudou o Monza a ascender no futebol entre 2018 e 2019 — um apelido carinhoso para uma presença que há anos ilumina o cotidiano dos visitantes do parque. Felizmente, a permanência no saco não comprometeu as funções vitais da ave. Após o resgate, os guardiões dos jardins acionaram as equipes responsáveis, e Reginaldo foi transferido para a oásis da ENPA em San Damiano, onde agora vive junto a outros animais sob os cuidados de profissionais e voluntários.
Na mesma área de acolhimento está Ambrogio, outra oca cignoide proveniente do mesmo lago. Ambrogio havia sido deslocado para a oásis por um problema no uropigio — a glândula responsável por secretar o óleo que impermeabiliza as penas — condição que prejudicava a secagem e manutenção do penacho, especialmente em meses frios. O encontro entre Reginaldo e Ambrogio trouxe conforto e companhia a ambos: um pequeno renascimento social sob os cuidados da ENPA.
Os veterinários da unidade avaliam, com calma e critério, a possibilidade de retorno dos animais ao lago da Villa Reale assim que as condições de saúde e segurança permitirem. Essa decisão, fundamentada em protocolos clínicos e no bem-estar das aves, definirá se veremos novamente esses companheiros a nadar nas águas históricas da residência ex-sabauda quando a primavera chegar.
Enquanto isso, as autoridades de segurança do parque investigam o episódio. A ENPA e os guardiões locais tratam o caso como um ataque de crueldade; na nossa cobertura da Espresso Italia, preferimos descrever o gesto como um ato cruel e inexplicável que fere a convivência civilizada. Nas redes sociais dedicadas a Monza, muitos moradores indignados responsabilizam a gestão da segurança dos jardins, pedem câmeras e patrulhamento mais atento. Há, portanto, uma oportunidade clara de transformar indignação em ação: iluminar novos caminhos de prevenção e proteção para a fauna urbana.
Este incidente nos lembra que a presença humana pode tanto ferir quanto curar. A rápida intervenção dos park angels, o trabalho técnico da ENPA e a solidariedade dos voluntários são sinais de uma cidade que semeia cuidado — mesmo quando surgem sombras. Resta agora apoiar as investigações, fortalecer as medidas de vigilância e celebrar o acolhimento que garantiu a vida de Reginaldo.
Em tempos em que o tecido urbano se entrelaça cada vez mais com a vida selvagem, episódios como este são convites para repensar políticas públicas, educação e a cultura do respeito. Que a recuperação de Reginaldo seja um farol: iluminar novos caminhos, cultivar valores e garantir que o horizonte límpido do lago da Villa Reale de Monza continue a abrigar histórias de ternura e convivência.
Reginaldo segue bem e acolhido na ENPA; as autoridades prosseguem as investigações. A Espresso Italia acompanha o caso e trará atualizações.






















