Uma onda de protestos de proprietários de animais — sobretudo de tutores de felinos — pede a reabertura da Clínica Veterinária de Melegnano, fechada desde dezembro por determinação judicial. Para muitos, o local era um farol de esperança: um centro de referência para o diagnóstico e tratamento de patologias graves, que recebia casos até do centro-sul da Itália.
Nos últimos dias, houve até uma pequena manifestação em frente ao tribunal de Lodi, em que donos de cães e gatos acusam a Ats Città Metropolitana di Milano de lhes ter retirado um ponto fundamental de atendimento. A clínica foi interditada após uma perquisa realizada em dezembro, à qual participaram autoridades sanitárias de Melegnano, Milão e Lodi, além dos carabinieri del NAS.
No auto de suspensão das atividades, as autoridades apontaram a “necessidade de uma melhor organização do ambulatório”. Foram também apreendidos documentos e computadores para verificações sobre a rastreabilidade de alguns medicamentos — material que até agora permanece inacessível.
Segundo a diretora da clínica, a médica veterinária Silvia Fioroni, a busca também envolveu a detenção de antivirais utilizados no tratamento de três doenças felinas muito graves: FIP (peritonite infecciosa felina), FeLV (leucemia viral felina) e FIV (imunodeficiência felina). Os medicamentos encontrados, afirma Fioroni, foram “regularmente comprados e rastreados” e, além disso, já haviam sido autorizados na Itália em 20 de outubro pela AIFA, agência italiana do medicamento.
O princípio ativo em questão é o remdesivir, originalmente desenvolvido para uso humano e mostrado eficaz contra o vírus responsável pela pandemia. Em resposta à necessidade veterinária, a empresa farmacêutica Gilead — que não mantém uma divisão veterinária — produziu expressamente uma formulação adaptada para animais de companhia, após um pedido que ganhou força em junho do ano passado, quando o então subsecretário de Saúde, Francesco Gemmato, solicitou agilidade na liberação do produto para uso veterinário.
Apesar dessas autorizações e da importância reconhecida do tratamento, a situação não mudou desde dezembro: “Estamos fechados”, diz Fioroni. “Os últimos dois gatos internados morreram porque não pudemos dispor do antiviral injetável que mantemos em estoque para emergências. Foram apreendidos também outros antivirais de uso humano que usávamos para preparar doses específicas para animais. Falamos de medicamentos salvavidas.”
Casos como o do British Shorthair chamado Mister — que foi salvo graças à terapia — reforçam a dimensão humana e afetiva do problema. A dona de Mister, Elena Battaglini, trouxe o gato a Melegnano seguindo indicações de um pronto-socorro; relatos como este transformaram a clínica em um verdadeiro ponto de esperança para famílias que percorriam centenas de quilômetros em busca de tratamento.
Os proprietários que protestam pedem não só a reabertura, mas transparência nas investigações e celeridade nas decisões administrativas, para que o acesso aos cuidados essenciais seja restabelecido. Enquanto isso, a apreensão dos materiais e a suspensão das atividades continuam a lançar uma sombra sobre o destino desses animais e sobre a confiança da comunidade no sistema de saúde animal.
Na voz da Espresso Italia, que acompanha o caso e iluminou os acontecimentos recentes, a situação pede equilíbrio entre a necessária fiscalização e a urgência de proteger vidas que dependem de terapias específicas. Reabrir a clínica de Melegnano seria, para muitos, semear uma nova chance de cuidado e oferecer um horizonte mais límpido para tutores e animais.






















