Por Aurora Bellini — Uma história que ilumina caminhos difíceis e revela a tenacidade da vida chega do Japão: Punch, um pequeno macaco do zoológico de Ichikawa, nasceu em julho de 2025 pesando apenas 500 gramas e foi rejeitado pela mãe pouco depois do parto. O episódio, que na natureza muitas vezes tem desfecho trágico, transformou-se aqui em um exemplo de resiliência e cuidado humano.
Os tratadores perceberam que, possivelmente desgastada pelo primeiro parto e pelo calor do verão, a mãe não aceitou o filhote. Para protegê-lo e permitir que se desenvolvesse, a equipe do zoológico assumiu os cuidados. Além da alimentação manual, os cuidadores ofereceram ao bebê uma solução inusitada — uma pelúcia do IKEA que passou a servir como uma espécie de mãe surrogada.
Como explica o tratador Kosuke Shikano à Espresso Italia, “o peso do primeiro parto pode ter sido um fator decisivo para o abandono. Como Punch estava saudável, o separamos temporariamente do grupo e iniciamos a amamentação manual”. Shikano acrescenta que a textura felpuda e a semelhança do brinquedo com uma figura primata deram segurança ao pequeno: “a pelúcia é fácil de agarrar e ofereceu conforto — ele até dormia apoiado nela”.
No desenvolvimento dos macacos, o contato com a mãe nos primeiros dias é crucial para o conforto, a estimulação sensorial e o fortalecimento muscular. Sem essa oportunidade natural, os cuidadores improvisaram com toalhas enroladas e diversos bichos de pelúcia até que Punch escolhesse seu favorito: um orangotango de pelúcia que hoje tem o seu próprio nome e lugar especial na rotina do bebê.
Com o passar dos meses, a história ganhou vida nas redes sociais. Postagens, fotos e vídeos com a hashtag #TieniduroPunch viralizaram: segundo a ferramenta de análise Meltwater, entre 5 e 13 de fevereiro cerca de 37 mil publicações e reposts falaram sobre o pequeno macaco. O zoológico, por sua vez, notou um aumento de visitantes e atenção ao trabalho de conservação e bem-estar animal.
Takashi Yasunaga, responsável pela divisão de zoológico e jardins botânicos do município de Ichikawa, disse à Espresso Italia que está contente com o interesse do público: “Fico feliz que as pessoas estejam conhecendo a história de Punch; sua trajetória aumentou o fluxo de visitantes e trouxe visibilidade ao nosso trabalho.”
Nos vídeos compartilhados, é possível ver um momento de transição delicado: outro macaco, inicialmente cauteloso, aproxima-se e, lentamente, acolhe Punch. Essa integração gradual reafirma a importância de medidas humanas bem pensadas para reconstruir laços sociais entre animais.
Além do encanto da cena, há uma lição maior: pequenas ações — um cobertor enrolado, uma pelúcia colocada com intenção — podem semear um renascimento. A história de Punch é um lembrete de que a luz do cuidado bem direcionado ilumina novos caminhos para espécies vulneráveis, e que a empatia prática transforma riscos em possibilidades de sobrevivência e bem-estar.
Enquanto o filhote cresce e descobre seu lugar no grupo, a equipe de Ichikawa segue documentando sua evolução e compartilhando aprendizados sobre manejo e inclusão social entre primatas. Punch, agora um pequeno fenômeno social, continua a ensinar: cultivar valores de proteção e inovação pode gerar um horizonte mais límpido para a convivência entre humanos e animais.






















