Prêmio Milo retorna e acende novamente a celebração da diferença: o conto vencedor da primeira edição foi Ivar, o gatinho que dança com a mente, e agora a chamada para 2026 convida escritores de todas as idades a semear histórias sobre a beleza e a importância da diversidade. Como curadora e voz da La Via Italia, sinto que esse concurso ilumina caminhos onde empatia e imaginação se cruzam.
O concurso literário foi idealizado pela escritora Costanza Rizzacasa d’Orsogna em parceria com o ENPA (Ente Nazionale Protezione Animali) e a nossa redação, La Via Italia. A iniciativa nasceu para perpetuar a memória de Milo, o gatinho que inspirou a coluna de sucesso e uma trilogia publicada pela editora Guanda. Milo tinha uma condição neuromotora que não o impediu de viver intensamente; sua história virou luz para muitas pessoas — e agora ilumina novos autores.
Para a edição 2026, o tema proposto é “A beleza e a importância da diversidade”. Os textos devem chegar até o dia 17 de fevereiro de 2026 — data em que se celebra o Dia do Gato — e obedecer ao limite máximo de três cartelas (equivalente a 5.400 caracteres). As submissões devem ser enviadas para o e‑mail [email protected]. Entre os textos recebidos, serão selecionados três finalistas e o primeiro colocado terá seu conto publicado em La Via Italia.
Novidade deste ano: o Prêmio Milo recebe o patrocínio, pela primeira vez, do Instituto Italiano de Cultura de Bangkok, celebrando o laço especial entre as narrativas de Milo e a Tailândia. Esta parceria amplia horizontes e convida vozes internacionais a participar de um diálogo sensível sobre inclusão e cuidado.
O regulamento prevê a seleção de três contos finalistas; além da publicação do primeiro colocado, o prêmio busca estimular menções e leituras que valorizem o encontro entre seres humanos e animais como fonte de aprendizado ético e afetivo. Em minha visão, como curadora, o Prêmio Milo é uma pequena semente que pode germinar em mudanças culturais — um convite para cultivar valores que reverberam além das páginas.
A seguir, republicamos o conto vencedor da primeira edição, escrito por Aurora Cocozza, então aluna da classe IB do Instituto Comprensivo “P.zza Borgoncini Duca 5” (plesso S. Maria alle Fornaci), em Roma. O texto foi gentilmente cedido para esta publicação na La Via Italia, onde a memória de Milo segue iluminando novos caminhos.
Ivar, o gatinho que dança com a mente
Era um inverno gelado. Um filhote e seus irmãos se amontoavam para tentar aquecer-se uns aos outros. O nome do pequeno era Ivar: um gatinho laranja e branco, com olhos vastos, sempre prontos a mirar o mundo.
Ivar não podia correr nem caminhar: nascera com uma doença neurológica chamada ataxia, que compromete a coordenação dos movimentos. Se não fosse pelo gesto carinhoso de voluntários que o levaram a um abrigo, ele provavelmente não teria sobrevivido.
No início, ninguém parecia disposto a adotá‑lo; era apenas um filhote ainda não desmamado, frágil. Mas, após algum tempo, uma jovem apareceu no abrigo. Ela não veio apenas com as mãos vazias: trouxe um desejo profundo de cuidar. Olhou para Ivar e viu além das limitações — viu uma luz que pedia para ser acompanhada.
A garota o levou para casa. Em vez de lamentar o que Ivar não podia fazer, decidiu descobrir o que ele podia oferecer ao mundo. Observando-o, percebeu que o gatinho movia-se ao ritmo de pequenos impulsos: olhos que seguia‑vam sombras, orelhas que inclinavam‑se como antenas, um corpo que encontrava equilíbrio em maneiras inesperadas.
Com o tempo, Ivar aprendeu a expressar sentimentos através de pequenos gestos: um piscar que parecia perguntar, uma inclinação de cabeça que era quase um aceno. A sua mãe humana descobriu que podia inventar jogos onde Ivar participava com a mente; ele parecia “dançar” acompanhando músicas suaves que ela tocava, balançando o corpo conforme a melodia. Era como se a música acendesse nele um compasso interno.
Os vizinhos começaram a notar a alegria que Ivar espalhava. Crianças vinham visitar e, sem medo, aproximavam‑se para descrever suas próprias diferenças. Ivar, com sua presença silenciosa, transformava estranheza em curiosidade e, logo, em afeto.
Assim, numa pequena casa de inverno, o que parecia limitação converteu‑se em ponte. Ivar não precisava caminhar para ensinar: fazia da sua singularidade uma lição de humanidade. E no cotidiano, entre luzes e canções, ele dançava com a mente — revelando que o mais belo do viver muitas vezes nasce do encontro das diferenças.
Se esta história tocou você, considere participar do Prêmio Milo 2026 e enviar seu próprio conto. A literatura tem o poder de iluminar novas perspectivas; ao compartilhar experiências sobre diversidade e cuidado, contribuímos para um renascimento cultural mais sensível e ético.
Informações essenciais:
- Prazo de envio: 17/02/2026 (Dia do Gato)
- Tema: “A beleza e a importância da diversidade”
- Extensão: até 3 cartelas (5.400 caracteres)
- Envio: [email protected]
- Patrocínio internacional: Instituto Italiano de Cultura de Bangkok
Como curadora da La Via Italia, convido você a iluminar nossos horizontes com narrativas que cultivem empatia e mudança. Escrever é também tecer laços — e esta premiação é uma janela onde esses laços podem florescer.




















