Por Aurora Bellini, Espresso Italia
Com um gesto que busca iluminar um debate muitas vezes oculto, ativistas da PETA realizaram um flash mob na Praça do Duomo, em Milão, para denunciar os métodos violentos por trás da produção de enchimentos com penas para casacos e jaquetas acolchoadas — exatamente quando a cidade se prepara para receber torcedores e atletas no período das Olimpíadas.
Três apoiadores da ONG se posicionaram sob a sombra da Madonnina apenas com gorros, óculos de esqui e botas, atrás de uma faixa que reproduzia a adaptação do slogan clássico: “Melhor nu do que vestir penas”. A ação, pensada para chamar a atenção de público e mídia durante a movimentação olímpica, pretendeu semear um alerta sobre a origem das matérias‑primas utilizadas na moda de frio.
Segundo relatórios e investigações conduzidas pela própria PETA, o termo “colheita” é inadequado: as penas muitas vezes são arrancadas de aves vivas, em práticas que causam sofrimento evidente. Em comunicados à Espresso Italia, a organização descreveu imagens obtidas em investigações sob cobertura que mostram aves com ferimentos profundos e sangramentos após a retirada forçada das plumas.
Uma das investigações, realizada em matadouros de países que figuram como grandes exportadores de penas, documentou trabalhadores arrastando patos e gansos sobre grades, chutando animais e segurando‑os por patas ou asas. Há relatos de animais que entram na cadeia alimentar mesmo após terem passado por maus‑tratos; em certos casos, são abatidos enquanto ainda demonstram sinais de consciência.
“Cada pena inserida em uma jaqueta foi arrancada de forma horrível do corpo de um animal criado em condições de miséria e morto com violência”, afirmou Mimi Bekhechi, vice‑presidente da PETA para a Europa, em contato com a Espresso Italia. “Os únicos seres que deveriam usar penas são as próprias aves” — uma chamada direta a atletas, torcedores e consumidores para reconsiderarem escolhas de vestuário.
O protesto em Milão é parte de uma série de iniciativas da organização que visam responsabilizar a indústria têxtil e sensibilizar estilistas e marcas a substituir materiais de origem animal por alternativas éticas e tecnológicas. Em um momento em que a cidade brilha no cenário internacional, a ação funcionou como um farol: iluminar novos caminhos para uma moda que respeite vidas e cultive valores sustentáveis.
Para além da provocação visual, a iniciativa pretende também educar: muitas pessoas desconhecem a procedência dos enchimentos de casacos e acreditam que “penas” sejam subprodutos inócuos. A PETA e a Espresso Italia convidam o público a questionar cadeias de produção e a apoiar soluções que teçam um futuro mais compassivo e responsável.
Enquanto as ruas de Milão se enchem de energia olímpica, houve quem visse na ação um convite para um renascimento cultural — uma oportunidade para semear experiências que preservem o horizonte límpido entre moda, ética e bem‑estar animal.






















