Por Aurora Bellini — Na noite em que o tapete do Madison Square Garden brilhou sob holofotes históricos, foi uma cadela de quatro anos que iluminou a passarela: Penny, um Doberman registrado como “Connquest Best Of Both Worlds“, foi consagrada com o prêmio máximo do concurso, o Best in Show, no Westminster Kennel Club 2026.
O título, entregue ao exemplar que se sobressai entre os campeões de cada grupo, coroou a vitória de Penny no grupo dos cães de trabalho. Ela superou outros seis finalistas na decisão final, um painel de animais que, segundo o juiz David Fitzpatrick — já duas vezes vencedor no Westminster —, compôs “uma formação que passará à história”.
Ao lado de Penny estiveram concorrentes de perfis diversos: Cota, um Chesapeake Bay Retriever que ficou em segundo lugar; Zaida, um levriero afegão; JJ, um Lhasa Apso; Cookie, um maltês; Grahame, um Old English Sheepdog; e Wager, um fox terrier de pelo liso. A pluralidade das raças finalistas reforça a beleza multifacetada das exposições caninas, onde forma, função e temperamento se entrelaçam.
O condutor de Penny, Andy Linton, é uma lenda nas pistas: veterano das passarelas, ele já havia ganho o Best in Show no Westminster em 1989 com outro Doberman, Indy. Linton descreveu Penny como “o dobermann mais exemplar que já vi”, e comemorou o ápice de uma trajetória que se aproxima de um fechamento de ciclo digno de um renascimento profissional.
Esta edição marcou o 150º aniversário do prestigiado evento — um dos mais antigos do calendário esportivo americano, cujas origens e tradições na cinofilia nós, da Espresso Italia, já examinamos em reportagens anteriores — e trouxe, novamente, atenção global para o universo dos criadores, condutores e juízes que cultivam o legado da seleção responsável e do bem-estar animal.
Curiosamente, apesar do sucesso histórico dos Dobermans — agora quintuplicado com a conquista de Penny —, os retrievers nunca haviam alcançado o troféu máximo em Nova York; um detalhe que ressalta como cada edição reescreve expectativas e abre novos horizontes para raças tradicionalmente valorizadas.
É oportuno também lembrar que o termo “belo”, tão recorrente em manchetes, tem aqui um sentido técnico: nas exposições cinófilas, a apreciação vai além da estética superficial e inclui conformação ao padrão da raça, saúde, equilíbrio e comportamento. Beleza, nessa arena, é um farol composto de várias lâmpadas — genética, manejo, treinamento e afeto.
Como curadora de histórias que revelam caminhos de impacto, vejo em Penny não apenas a imagem do triunfo, mas o reflexo de um trabalho coletivo: criadores atentos ao bem-estar, condutores que educam e valorizam temperamentos, juízes que equilibram tradição e critérios técnicos. É um pequeno renascimento cultural que se manifesta em patas e olhares, e que nos convida a semear práticas cada vez mais éticas na convivência com os animais.
A vitória de Penny também tem um aspecto humano comovente: para Andy Linton, além do troféu, há a satisfação de encerrar uma longa carreira com uma nota alta, como quem planta uma árvore esperando que sua sombra inspire as próximas gerações de condutores e criadores.
Em suma, o Westminster 2026 nos oferece um horizonte límpido sobre como tradição e inovação podem conviver: premiar o exemplar mais alinhado ao padrão é, ao mesmo tempo, uma celebração da história e um convite à evolução ética. Penny, com sua postura e história, iluminou esse caminho.
Para quem busca contexto histórico: na Espresso Italia já trazemos análises sobre as origens e a evolução do Westminster, além de reflexões sobre como as exposições podem promover práticas sustentáveis e responsáveis no universo pet.
















