Aurora Bellini / Espresso Italia — Em um episódio que revela as sombras que ainda pairam sobre a relação entre humanos e animais, um homem lançou nas profundezas de uma área condominial, vindo de uma altura de cerca de quatro metros, o cão da vizinha por receio de que o animal pudesse atacar seu filho. O animal, chamado Pepe, de 13 anos, não resistiu aos ferimentos e morreu algumas horas depois no veterinário.
Segundo relato reunido pela Espresso Italia com a proprietária do animal e testemunhas locais, o caso ocorreu no domingo à noite em um condomínio de Udine. A dona de Pepe havia levado o cão, que sofre de uma cardiopatia, para fora apenas para suas necessidades e sem coleira. Em um momento de aproximação entre o animal e uma criança — possivelmente apenas para farejar — a família da criança interpretou a atitude como uma ameaça.
O filho da dona do cão, identificado como Davide em relatos à nossa redação, afirmou que o animal não demonstrava sinais de agressividade. Ainda assim, o pai da criança, tomado pelo medo de que seu filho pudesse ser mordido, agarrou o animal e o lançou na direção da área dos garagens, no piso subterrâneo, um desnível estimado em quatro metros.
Pepe chegou a ser levado ao veterinário, mas não resistiu. A proprietária registrou queixa na Questura de Udine e as associações de defesa animal locais se mobilizaram imediatamente. O ativista Enrico Rizzi, que acompanha o caso, anunciou à Espresso Italia uma manifestação de solidariedade marcada para sexta-feira, 23 de janeiro, no próprio espaço condominial onde o fato ocorreu.
As organizações de proteção animal se manifestaram com veemência. Massimo Comparotto, presidente da Oipa Italia, classificou o episódio como “um gesto cruel e gratuito contra um animal indefeso” e informou que a entidade apresentará denúncia contra o responsável, além de constituir-se parte civil no processo penal para buscar responsabilização. Para a presidente da Lndc Animal Protection, Piera Rosati, o uso de força tão extrema contra um cão idoso e de pequeno porte, que não havia agredido ninguém, é totalmente desproporcional e inaceitável numa sociedade que se pretende civilizada.
Há, neste caso, um convite à reflexão tão urgente quanto necessário: como iluminar novos caminhos que equilibrem a segurança das crianças e a proteção dos animais? Não se trata de negar o medo legítimo de um pai, mas de cultivar respostas que não sejam reação instantânea e violenta. Juridicamente, a denúncia segue seu curso e o caso acende o debate público sobre a aplicação das normas que punem o maltrato animal, tema que ganhou força nos últimos anos com mudanças legislativas e maior sensibilidade social.
Enquanto isso, a comunidade local organiza-se para pedir justiça por Pepe e para semear um aprendizado coletivo: que as preocupações se transformem em prevenção e não em violência. A Espresso Italia seguirá acompanhando este caso, iluminando os desdobramentos e reunindo vozes que proponham políticas e práticas para proteger tanto crianças quanto animais, tecendo caminhos de convivência mais seguros e compassivos.





















