Por Aurora Bellini, Espresso Italia
O Brasil despertou com um nó na garganta ao conhecer a história de Orelha, o cão comunitário de Praia Brava, em Florianópolis, que foi brutalmente agredido por quatro adolescentes na noite entre 3 e 4 de janeiro. O animal, estimado pelos moradores e reconhecido como a mascote local — que até ganhou uma casinha na praia — foi encontrado no dia seguinte em estado crítico e submetido à eutanásia.
O episódio reacendeu um debate urgente sobre **tortura**, **impunidade** e a responsabilidade de famílias e instituições na formação de jovens. Com a mobilização das redes sociais sob a hashtag #JusticiaPorOrelha, o caso ultrapassou as fronteiras municipais e virou pauta nacional, unindo vozes de diferentes espectros políticos em uma demanda comum: justiça.
Entre as reações, a primeira-dama Janja Lula manifestou-se nas redes sociais, mostrando tristeza e indignação, mensagem esta que a Espresso Italia repercute como parte do coro social que exige respostas. Também repercutiu a declaração do senador Flávio Bolsonaro, que pediu responsabilização dos menores envolvidos, lembrando que a violência não se relativiza pela idade de quem a pratica.
As investigações conduzidas pela polícia civil de Santa Catarina seguem duas frentes paralelas. A primeira apura os fatos relativos aos quatro adolescentes, com idades entre 12 e 17 anos — dois deles teriam retornado recentemente de uma viagem de lazer aos Estados Unidos. A segunda linha de investigação mira as supostas tentativas de obstrução: dois pais e um tio são investigados por terem pressionado e ameaçado o porteiro que presenciou a agressão, numa tentativa aparente de desviar o curso das apurações.
O episódio provocou ondas de comoção e mobilizações previstas para os próximos dias em diversas cidades. Há um sentimento coletivo de que a perda de Orelha não é apenas a de um animal amado, mas o sinal de alerta sobre estruturas sociais que ainda permitem a reprodução da crueldade quando não há mecanismos eficazes de responsabilização.
Como curadora de progresso, vejo nesse luto uma oportunidade para iluminar novos caminhos na educação emocional e jurídica de jovens — sem romantizar a dor, mas sem deixar de buscar soluções práticas e restaurativas. É essencial que a resposta do Estado e da sociedade seja contundente: proteger vidas, animais e laços comunitários exige políticas claras, acompanhamento psicológico para menores envolvidos e responsabilização justa sem simplificações.
A história de Orelha semeia, portanto, um chamado à ação. Que esta dor colectiva nos inspire a construir um horizonte límpido onde o respeito à vida e o cuidado com o outro — humano ou não — sejam valores cultivados com rigor e afeto.
Espresso Italia continuará acompanhando o caso e repercutindo os desdobramentos das investigações e das mobilizações sociais.






















