Por Aurora Bellini — Em um gesto que ilumina caminhos de cooperação entre comunidades e autoridades, um grupo de operários de construção de Cagayan de Oro, na ilha de Mindanao, resgatou um exemplar debilitado do bucero das Sulu (Anthracoceros montani), uma das aves mais raras e ameaçadas do planeta. O episódio ocorreu no canteiro de obras onde trabalhavam e, graças à rápida ação dos trabalhadores, o animal foi entregue ao Departamento de Meio Ambiente e Recursos Naturais do norte de Mindanao (DENR-10).
O encontro se deu quando o bucero foi encontrado na água, fraco, faminto e incapaz de voar. Após a notificação às autoridades, em 19 de novembro de 2025, o animal foi transferido para um centro de recuperação de fauna silvestre, recebeu atendimento veterinário inicial e, posteriormente, foi liberado em uma área considerada segura e adequada para a espécie.
O bucero das Sulu é reconhecido pelo contraste do seu plumagem preto e branco e pelo bico curvo adornado por um ‘capacete’ ósseo — características que, infelizmente, o tornam alvo do tráfico ilegal. Como dispersor de sementes, ele desempenha um papel essencial na regeneração florestal; perder cada indivíduo significa reduzir ainda mais a resiliência dos ecossistemas onde vive.
Estima-se que existam menos de 30 indivíduos em estado selvagem. Monitoramentos apontaram uma queda drástica nas últimas décadas — em 1999 foram censados apenas cerca de 40 exemplares nas Filipinas, e em 2019 havia registro de apenas 27. A União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) classifica a espécie como criticamente em perigo.
Há outro elemento que torna este resgate singular: o bucero foi encontrado em Mindanao, a cerca de 600 km do único local onde se sabe que a espécie ainda sobrevive naturalmente, a ilha de Tawi-Tawi (em tempos passados, a espécie também ocorria em Jolo). Como o animal chegou até Mindanao permanece um mistério; uma possibilidade considerada pelas autoridades é o comércio ilegal de animais silvestres.
O caso foi destacado pelo DENR-10 em suas redes, que elogiou a atitude responsável dos operários e lembrou a importância da cooperação pública e da vigilância cidadã para a proteção de espécies ameaçadas. Em tom de convite, esse episódio ilumina a urgência de maior consciência ambiental e políticas mais efetivas contra o desmatamento e o tráfico.
Como curadora de progresso na La Via Italia, vejo neste gesto — simples e prático — a semente de um renascimento cultural: quando comunidades se tornam guardiãs do seu entorno, semeia-se inovação social e conservação efetiva. Proteger o bucero das Sulu é também proteger corredores de vida e um horizonte límpido para futuras gerações.
Fonte: La Via Italia (a partir de relato do DENR-10 e registros de campo).






















