Com o coração aquecido por memórias e a lucidez de quem observa o mundo com carinho, despedimo-nos de Lince, o gato que por anos brilhou como embaixador felino entre as pedras e arqueologias de Pompeia. A notícia da sua morte, ocorrida em 21 de fevereiro de 2026, foi confirmada pela associação que acompanha a colônia local, a Archeogatti. Segundo o comunicado, Lince faleceu em decorrência de uma insuficiência renal, agravada por ingestão de alimento inadequado.
Era fácil encontrá-lo nas fotos dos visitantes: um animal de presença solar, descrito como “belo como o sol”, pai de muitos gatos que hoje caminham entre as ruínas, e guardião — quase mítico — do famoso lupanare. Lince era, ao mesmo tempo, um randagio indomável e um personagem querido: figura constante nos caminhos arqueológicos, referência para turistas e moradores, e até um pequeno “influencer” entre quem partilhava imagens e memórias nas redes.
Os voluntários da Archeogatti Onlus acompanharam Lince até os últimos dias e cuidaram dele com dedicação. A associação ressaltou que o declínio do felino foi associado diretamente ao consumo de alimento inadequado — e esse ponto foi usado pelo Parco Archeologico para reforçar uma mensagem clara aos visitantes: é estritamente proibido alimentar os animais livres no parque. A orientação existe porque alimentos impróprios podem causar sérios danos, até letais, aos gatos que vivem e se reproduzem entre as ruínas.
Neste adeus, há também um convite à responsabilidade: que a lembrança de Lince ilumine novos caminhos no comportamento coletivo. Cuidar do patrimônio humano e animal exige regras, coordenação e também o trabalho paciente das pessoas que doam tempo e afeto — os voluntários que diariamente verificam a saúde dos animais, coordenam esterilizações e mantêm registros. Esse empenho é a luz que semeia segurança para as colônias felinas e para os visitantes, preservando tanto a história quanto a vida.
Para quem visita Pompeia, Lince era um farol de humanidade: a presença de um animal que convive com a ruína convida à reflexão sobre tempo, convivência e legado. Ao mesmo tempo em que lamentamos a perda, celebramos a vida que ele inspirou — uma vida que deixou traços afetivos nas imagens e nos relatos de tantos que o encontraram pelo caminho.
Em seu comunicado, o Parco Archeologico agradeceu aos voluntários que cuidaram de Lince e pediu que todos respeitem as normas de proteção aos animais. Desejamos a Lince uma jornada serena: que o paraíso dos gatos, onde a luz é sempre amena e os caminhos são seguros, o receba. Que sua memória continue a cultivar valores de cuidado e respeito — um pequeno renascimento cultural entre as pedras milenares.
Se você visita as escavações, evite alimentar os gatos e siga as orientações do parque. É um gesto simples, mas de impacto real: preservar vidas é também preservar histórias.






















