Por Aurora Bellini — Em um estudo que ilumina caminhos antigos do comportamento animal, cientistas da Bar‑Ilan University (Israel) mostraram que até as medusas têm rotinas de descanso surpreendentemente parecidas com as nossas. Publicada em Nature Communications, a pesquisa revela que a medusa Cassiopea e anêmonas-do-mar exibem um ciclo de sono em torno de oito horas diárias e chegam a fazer curtos pisolinos no meio do dia.
Usando rastreamento por vídeo em infravermelho e análises comportamentais, a equipe observou que esses organismos, embora desprovidos de um cérebro central complexo, diminuem a atividade motora — no caso das medusas, a pulsação do umbrelo — durante longos períodos que correspondem a um estado de repouso. Além disso, pesquisadores detectaram episódios breves de inatividade no meio do dia, análogos ao que chamamos de siesta ou power nap, quando os animais ficam menos reativos a estímulos externos.
A descoberta sugere que a necessidade de dormir tem raízes profundas na história evolutiva, muito antes do surgimento de cérebros sofisticados. “O sono é uma função essencial que se preservou ao longo da evolução”, explicam os autores do estudo — uma mensagem que encaminha reflexões sobre como funções fundamentais, como a reparação celular e a manutenção neuronal, podem ter emergido em organismos simples.
Para a La Via Italia, essa pesquisa é uma janela sobre como comportamentos básicos foram sembrados nos primórdios da vida marinha e continuam a moldar nossa saúde. Entender como medusas e anêmonas regulam o repouso pode oferecer pistas valiosas para estudar distúrbios do sono humanos, abrindo possibilidades para intervenções que respeitem ritmos biológicos ancestrais.
Os dados mostram ainda diferenças de regulação: enquanto as medusas parecem responder mais diretamente ao ciclo claro‑escuro, as anêmonas podem se orientar por um relógio biológico interno. Ambos, porém, evidenciam um controle homeostático do descanso — sinalizando que preservar a integridade neural é um imperativo antigo e universal.
Em tempos nos quais buscamos cultivar hábitos que sustentem um futuro saudável, aprender com os moradores mais antigos dos oceanos é como acender uma luz sobre práticas de cuidado corporal e comunitário. Este estudo não é apenas sobre criaturas marinhas; é um lembrete de que a rotina de sono — essas nossas “oito horas” compartilhadas — carrega um significado evolutivo e prático profundo.
O que ficou claro:
- Medusas do gênero Cassiopea e anêmonas apresentam ciclos de descanso definidos, de aproximadamente 8 horas por dia.
- Ambos exibem curtos episódios de inatividade diurna, comparáveis a pisolinos.
- Embora não possuam um cérebro central complexo, mantêm mecanismos de regulação do sono que favorecem a manutenção neuronal e a reparação celular.
Fonte: estudo da Bar‑Ilan University publicado em Nature Communications. Para um horizonte límpido sobre nosso próprio descanso, olhar para as profundezas do mar nos ajuda a tecer novas práticas de bem‑estar.


























