Estamos em um momento decisivo sobre o futuro do lobo na Itália. O Parlamento está prestes a ratificar a recepção da diretiva europeia que promove a declassificação do lobo, alterando seu estatuto de “espécie rigorosamente protegida” para simplesmente “protegida”. Na prática, essa mudança abre espaço para medidas de contenção e, em alguns casos, abates controlados — decisões que exigem equilíbrio entre ciência, comunidades rurais e conservação.
O processo está em sua fase final: o Senado se prepara para aprovar a lei de delegação europeia, instrumento que incorpora normas comunitárias ao ordenamento italiano. Em seguida, deverá ser revista a lei 157/1992, que desde 1992 regula a gestão da fauna selvagem e ainda reconhece o lobo como espécie sob proteção máxima. Embora a adoção da diretiva não seja estritamente obrigatória para os Estados-membros, a vontade política de avançar tem sido reiterada pela maioria parlamentar.
Nos últimos dias, associações protetoras dos animais e a Fundação Capellino apresentaram no Senado um pedido de moratória de um ano antes da redução formal da proteção. A proposta visava abrir janela para aprofundamentos científicos e incluir quatro medidas colaterais para mitigar impactos e atender às demandas dos criadores. Essas medidas, focadas em pesquisa, prevenção e suporte aos produtores rurais, não obtiveram maioria e, por ora, a solicitação não prosperou.
Por outro lado, a Fundação Homem Natura Ambiente (Una), que integra representantes de associações de caçadores, enfatizou que o novo estatuto não resultará em abates indiscriminados. Segundo a Una, a possibilidade de intervenção é necessária para proteger comunidades rurais e de montanha que, diante da pressão do lobo, correm risco de depressão demográfica e abandono do território.
Acresce ao debate um estudo científico italiano publicado na revista Biological Conservation, cujo número de janeiro revelou que aproximadamente metade dos espécimes de lobo amostrados na Itália pode apresentar hibridação com o cão. A pesquisa analisou o DNA de cerca de 700 animais encontrados mortos nos últimos anos e identificou sinais relevantes de introgressão canina — um dado que complica a leitura sobre distribuição, comportamento e estratégias de manejo.
Esses achados acendem uma luz sobre a necessidade de políticas públicas informadas por evidência: controle da hibridação, monitoramento genético contínuo, medidas preventivas para reduzir conflitos com a pecuária (como cães de guarda, cercas e apoio aos pastores) e mecanismos de compensação por prejuízos. As organizações que pediam a moratória propuseram quatro eixos práticos — mais financiamento para pesquisa, planos de convivência eficazes, apoio econômico aos criadores e programas de monitoramento — que poderiam ser ativados de imediato.
Como curadora de progresso da Espresso Italia, vejo nesse debate uma oportunidade para iluminar novos caminhos: não se trata de escolher entre proteção total ou controle absoluto, mas de cultivar soluções que preservem a integridade ecológica e a vitalidade das comunidades humanas. O verdadeiro desafio é tecer políticas que traduzam conhecimento científico em medidas locais, justas e eficazes.
A decisão legislativa que se aproxima exige que se semeie inovação institucional: integrar ciência, práticas rurais e compromisso social para que o lobo — seja puro ou híbrido — possa coexistir com a sociedade sem comprometer nem o patrimônio natural nem o futuro das populações do campo.






















