Em uma decisão que ilumina novos caminhos para a conservação e o turismo responsável, a Indonésia tornou-se o primeiro país asiático a proibir integralmente os passeios de elefante. O decreto, publicado em dezembro e implementado no início deste mês, alcança todos os centros turísticos oficiais e as instalações públicas dedicadas à proteção da fauna selvagem.
Organizações de defesa animal recebem a medida como uma vitória esperada: denúncias de práticas violentas e estressantes contra os animais vinham se acumulando há anos. Segundo relatos da PETA Asia, é comum que elefantes sejam acorrentados e forçados a obedecer por meio de golpes com ganchos afiados (os chamados “bull hooks”). “Viverem na constante intimidação por anos compromete sua saúde física e emocional”, alerta a entidade.
Autoridades locais também se posicionaram: a Bali Natural Resources Conservation Agency, responsável pelo monitoramento do cumprimento da nova norma, avisou que estabelecimentos que descumprirem a proibição poderão ter seus alvarás revogados. A medida, portanto, não é apenas simbólica; traz consequências administrativas concretas destinadas a desmontar um modelo de exploração ainda presente em destinos turísticos.
O gesto da Indonésia carrega uma urgência particular por abrigar o elefante de Sumatra, uma subespécie cujo efetivo foi reduzido pela metade entre 1985 e 2012. Hoje estima-se entre 2.400 e 2.800 exemplares, número que levou o World Wildlife Fund a classificar a espécie como “em perigo crítico”. Proibir a interação forçada com turistas é um passo prático para reduzir o estresse e as lesões que agravam a crise populacional.
Além do impacto direto sobre os animais, a decisão pode provocar um efeito em cadeia no sudeste asiático: especialistas e ativistas veem no ato indonésio um exemplo a ser seguido por outros países da região. A PETA Asia e outras organizações pedem que agências de viagem ao redor do mundo deixem de comercializar pacotes que incluam contato exploratório com elefantes — atividades como banho, alimentação forçada para fotos e montaria.
Para a comunidade de conservação e para o setor turístico, trata-se de um convite a repensar o relacionamento entre pessoas e espécies ameaçadas. É uma oportunidade para semear iniciativas que privilegiam a observação respeitosa, centros de resgate que priorizam o bem-estar e experiências educacionais que fortalecem a empatia sem exploração.
Como curadora de progresso, vejo nesta medida um pequeno farol: não basta apagar a prática danosa, é preciso acender alternativas que garantam sustento às comunidades locais por meio de um turismo responsável. Projetos de ecoturismo, educação ambiental e centros de reabilitação podem tecer novos laços entre economia e conservação, oferecendo um horizonte límpido para humanos e pachidermes.
A mudança na Indonésia não elimina os desafios: proteger o elefante de Sumatra exigirá políticas continuadas, fiscalização rigorosa e apoio internacional. Mas, ao proibir os passeios de elefante, o país dá um passo decisivo que ilumina possibilidades reais de renascimento cultural e ético no turismo. É um convite para que turistas, operadores e governos assumam juntos a responsabilidade de cultivar valores que persistam por gerações.






















