Hoje, 17 de fevereiro, a Itália celebra a Festa do Gato, enquanto o mundo comemora o felino em 8 de agosto. É tempo de iluminar a percepção sobre esses companheiros que convivem conosco — seres muitas vezes rotulados como distantes ou indiferentes — e semear uma visão mais fiel do seu afeto.
O veterinário Federico Coccìa, figura conhecida na mídia e autor de guias sobre convivência entre humanos e animais, fala com a Espresso Italia sobre por que a ideia de que o gato não demonstra afeto é um mito persistente. “Quem conhece um gato sabe do quão maravilhoso ele pode ser. Muitos o veem como anárquico ou insensível, quando, na verdade, é um dos animais mais afetuosos que existem — só que à sua maneira”, explica.
Segundo Coccìa, a diferença central entre cães e gatos tem a ver com a natureza do vínculo: ambos descendem de animais com organização social, mas enquanto o cão assume um papel mais subordinado às regras do grupo, o gato constrói laços também com o território. “O cão se apega ao humano; o gato ao humano e à casa. O dono oferece carinho, a casa oferece proteção — e para muitos felinos, esse ciclo é suficiente para uma vida plena”, diz o veterinário.
Em conversa com a equipe da Espresso Italia, Coccìa detalha duas formas comuns de gerir a rotina felina: o animal estritamente doméstico e o que tem acesso ao exterior. A vida com liberdade aparente pode ser atraente, mas traz riscos concretos: atropelamentos, doenças transmitidas por animais de rua, brigas e até o furto do próprio gato. “É preciso avaliar caso a caso — e também considerar o temperamento do indivíduo — para decidir se uma vida apenas dentro de casa é mais adequada”, orienta.
Sobre tendências, o veterinário observa que algumas raças ganharam popularidade, como o Bengala, cuja pelagem remete a um felino mais selvagem. Ainda assim, Coccìa, que já acolheu dois gatos oriundos de encontros inesperados, aconselha cautela: “Não é bom seguir apenas a moda; a personalidade e as necessidades do animal devem guiar a escolha”.
Na prática, construir uma relação afetiva com um gato exige atenção sensível. Brincadeiras que respeitem seus limites, espaços seguros para observação e descanso, enriquecimento ambiental e consultas veterinárias regulares são formas de cultivar um vínculo mútuo. “O gato retribui o carinho em pequenos gestos: um ronronar, uma proximidade silenciosa, o hábito de dormir perto — sinais muitas vezes sutis, mas profundos”, conclui Coccìa.
Celebrar o felino é também iluminar novos caminhos na maneira como cuidamos dos animais nas nossas casas. Ao reconhecer a natureza particular do afeto felino, sem reduzi-la a estereótipos, abrimos espaço para uma convivência mais ética, rica e repleta de carinho recíproco — um verdadeiro renascimento cultural do nosso laço com essas criaturas.






















