Por Aurora Bellini — Em uma operação que iluminou, com precisão, uma prática violenta e arraigada, a Polícia de Catania desmantelou uma corrida clandestina de cavalos ocorrida nas primeiras horas do domingo em Campo Rotondo Etneo, na província de Catania. A ação, que combinou tecnologia e trabalho de campo, resultou na denúncia de 15 pessoas — todas originárias da província de Messina — por organização de corrida ilegal e mau-trato de animais.
Ao amanhecer, dois condutores competiram empunhando carretas puxadas por animais, enquanto dezenas de motocicletas e automóveis acompanhavam, em alta velocidade, o trajeto de aproximadamente dois quilômetros — em grande parte em subida. A cena, que evoca imagens de um ritual de poder e territorialidade, foi monitorada por drones da própria Questura, que forneceram coordenadas essenciais para a intervenção terrestre.
Com base nas informações aéreas, mais de vinte agentes chegaram ao local. A Squadra a Cavallo da polícia assegurou os animais, identificados como purasangue inglês e portadores de microchip, enquanto outros policiais lograram deter um dos condutores e alguns organizadores. Muitos participantes fugiram, mas diversos foram alcançados pouco depois. Entre os envolvidos havia também dois menores, que atuavam incentivando os cavalos a bordo de uma motocicleta de grande cilindrada.
Esta ação combina vigilância tecnológica e presença humana — uma conjunção necessária para apagar, com eficácia, práticas que colocam em risco tanto os animais quanto a ordem pública. A deputada Michela Vittoria Brambilla, responsável pela lei que amplia as sanções contra esse tipo de evento, elogiou a operação e salientou que a legislação prevê agravantes quando há presença de menores, múltiplos animais ou divulgação por meios digitais.
Organizações de proteção animal também comentaram o episódio. Segundo o Observatório LAV, as corridas clandestinas são um fenômeno difícil de frear: em 26 anos, mais de 4 mil pessoas já foram denunciadas por envolvimento em iniciativas similares. Trata-se, acrescentam especialistas, de um território onde práticas ilegais, cultura local e formas de demonstrar poder se entrelaçam, exigindo respostas coordenadas das autoridades e da sociedade civil.
Para além da repressão pontual, resta o desafio de cultivar alternativas e políticas públicas que desestimulem a banalização da violência contra os animais e a normalização de eventos clandestinos. Em palavras que ecoam como um chamado ao renascimento cultural, é necessário iluminar novos caminhos para que tradições danosas sejam substituídas por práticas que valorizem o bem-estar animal e o convívio urbano seguro.
Esta intervenção em Catania é, portanto, um gesto concreto de preservação — uma fagulha de responsabilidade pública que precisamos transformar em corrente luminosa de prevenção, educação e justiça.






















